Polícia

Mãe suspeita de matar bebê de oito meses apanha na cadeia

Josenilde, que confessou ter matado o próprio filho, não prestou queixa 

21/02/2013 13h01
Mãe suspeita de matar bebê de oito meses apanha na cadeia
osenilde Lopes de Mendonça, a mulher que confessou ter espancado e matado o próprio filho, um bebê de oito meses em Natal, foi agredida por outra presa assim que chegou ao Centro de Detenção Provisória de Parnamirim, na noite desta quarta-feira (20). A agressão foi confirmada pela diretora da unidade, a agente penitenciária Hindiane Saiures Araújo de Medeiros.

A mãe do bebê assassinado foi encontrada perambulando pelas ruas da cidade na tarde da terça-feira (19). Na ocasião, ela negou ter matado o filho. Porém, no final da manhã desta quarta, em depoimento na delegacia, Josenilde confessou. Segundo ela, o filho foi morto durante um surto. Disse também que estava bêbada e drogada quando passou a bater na criança. “Estou arrependida e espero o perdão de Deus”, disse ela. O filho de Josenilde foi encontrado morto no sábado de carnaval, dia 9, no apartamento onde morava com a mãe no bairro de Nova Descoberta, na zona Sul de Natal.

Segundo a diretora do CDP Feminino de Parnamirim, Josenilde chegou ao CDP juntamente com outra presa. “Enquanto elas aguardavam a entrada para a carceragem, a mulher que estava ao lado dela arrancou um colar de metal do pescoço e começou a bater na Josenilde”, detalhou a diretora. Ainda de acordo com Hindiane, as duas estavam algemadas e, talvez por esta razão, a agressão não tenha sido mais grave.

A diretora do CDP explicou que Josenilde foi levada à Delegacia de Plantão da Zona Sul de Natal, onde foi registrada a agressão e lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Apesar do procedimento, a diretora disse que Josenilde não quis registrar queixa contra a presa que a agrediu.

“Em seguida, a mãe do bebê foi levada ao Itep para a realização de um exame de corpo de delito”, disse Hindiane. Ainda, segundo a diretora do CDP de Parnamirim, a unidade não tem condição de manter Josenilde isolada das outras internas. Por isso, ela foi encaminhada à Penitenciária João Chaves, na zona Norte da cidade.

O diretor da Penitenciária João Chaves, Rondineli Victor dos Santos, informou que Josenilde está em uma cela isolada onde permanecerá por 10 dias. "Ela está na área da triagem, onde toda presa fica quando chega ao presídio. Depois desses 10 dias ela irá para convívio com as demais detentas", disse.

A prisão

A Polícia Militar encontrou Josenilde Lopes de Mendonça no bairro da Redinha, zona Norte da capital, na tarde desta terça (19). "Ela estava vagando pela avenida João Medeiros Filho, próximo ao rio Doce, e disse que estava a caminho da Ponte Newton Navarro para cometer suicídio. Ela estava usando um vestido e parecia não ter tomado banho há vários dias", disse AiltonTrindade, tenente da PM.

Na manhã desta quarta (20), o delegado Sílvio Fernando, responsável por investigar o crime, confirmou que o Tribunal de Justiça do RN decretou a prisão preventiva de Josenilde. Laudos do Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep) atestam que o bebê sofreu traumatismo crânio-encefálico. De acordo com o delegado, a suspeita matou o filho com um soco na cabeça.

O caso

O filho de Josenilde foi encontrado morto no sábado de carnaval, dia 9, no apartamento onde morava com a mãe, no bairro de Nova Descoberta, zona Sul de Natal.
Segundo a polícia, o corpo do bebê estava em uma cama, enrolado em um lençol, e tinha um grande hematoma no lado direito do rosto.

O corpo do bebê foi sepultado no domingo (10), em Natal. O pai da criança, Ramon Ramalho, está em Limeira, no interior de São Paulo. Em entrevista ao G1, ele cobrou justiça para a morte do filho. "A droga e a negligência acabaram com a vida do meu filho", disse ele.

Ramon conheceu Josenilde em Limeira, em 2011, ocasião em que ela frequentava uma clínica de tratamento para dependentes de drogas. Assim que iniciaram o relacionamento, ela ficou grávida e os dois se mudaram para Natal, onde viveram juntos por pouco mais de um ano. "Sempre soube do vício. Até pensei que o fato de ficar grávida e de ter um filho faria com que ela deixasse as drogas, mas infelizmente isso não aconteceu", acrescentou o pai da criança.