Economia

Cenário incerto faz crescer aposta na alta da taxa Selic

Após greve dos caminhoneiros, 66% dos contratos de juros futuros apostavam na elevação – há uma semana, essa proporção era de 34%

Por Estadão 07/06/2018 10h10
Cenário incerto faz crescer aposta na alta da taxa Selic
Nesta quarta-feira, 06, 66% dos contratos de juros futuros embutiam a possibilidade de o Banco Central aumentar, ainda neste mês, a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para 6,75% ao ano Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - Foto: Reprodução

As incertezas na economia e na política brasileira, aliadas ao fortalecimento do dólar globalmente, passaram a influenciar a curva de juros no País. Nesta quarta-feira, 06, 66% dos contratos de juros futuros embutiam a possibilidade de o Banco Central aumentar, ainda neste mês, a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para 6,75% ao ano. Uma semana atrás, eram 34%.

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Essa mudança na curva de juros, no entanto, se deve mais a uma questão técnica do que a uma aposta efetiva do mercado em um aumento da Selic – os analistas, pelo menos por enquanto, descartam uma alta dos juros em breve. 

Para o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, o mercado de renda fixa (responsável por determinar a curva de juros) está “disfuncional”, e persiste uma avaliação errada sobre a comunicação do BC do mês passado, que associa os movimentos do câmbio à manutenção da Selic em 6,5%, quando todos apostavam em uma redução. 

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“Temos um regime de metas de inflação. Se fosse metas de câmbio, seria diferente. Na vigência do sistema de metas de inflação, seria uma quebra de regra fazer alta de juros em cima de uma economia enfraquecida, de uma expectativa de inflação ancorada e de uma inflação corrente que está abaixo da meta”, afirmou.

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O economista-chefe do BNP Paribas para América Latina, Marcelo Carvalho, diz também que há um descolamento entre a curva de juros e a realidade econômica do País. Para ele, só haverá uma alta na Selic se o real se desvalorizar ainda mais e o dólar ficar cotado, por um longo período, a mais de R$ 4. “Ainda assim, será preciso que haja um repasse da desvalorização do câmbio para a inflação, o que será difícil de ocorrer. Quando há uma crise, é mais difícil para as empresas repassarem (o custo elevado com importação) aos consumidores.”

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Para Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG Brasil, o que está acontecendo no mercado de juros é que “o investidor que quer vender seu papel não está conseguindo, porque o risco aqui está maior”. Segundo ele, isso faz com que o comprador do ativo exija uma taxa de juros mais elevada.

O economista Gustavo Cruz, da XP Investimentos, lembra que o mercado está preocupado com a possibilidade de um candidato não reformista vencer as eleições. “Isso aumenta o risco de investir aqui e impacta no câmbio e no risco país, além da taxa de juros.”

Nesta quarta-feira, 06, o dólar encerrou o dia com alta de 0,72%, a R$ 3,8377 – a maior cotação desde 2 de março de 2016 (R$ 3,89), época pré-impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Já o risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), um derivativo de crédito que protege contra calotes na dívida soberana, subiu de 237,22 para 242,10, de acordo com cotações apuradas pela Markit. Foi a cotação mais alta desde 6 de julho de 2017, quando a taxa bateu em 249.