Brasil

[Vídeo] PM agredindo mulher algemada dentro de quartel

O vídeo mostra um PM empurrando a mulher e depois desferindo socos e tapas

Por Uol 23/11/2020 10h10 - Atualizado em 23/11/2020 10h10
[Vídeo] PM agredindo mulher algemada dentro de quartel
PM agredindo mulher algemada dentro de quartel - Foto: Reprodução / Vídeo

Uma empresária de 44 anos foi agredida com tapas e socos por um oficial da Polícia Militar (PM) de Mato Grosso do Sul, em Bonito. O caso ocorreu dentro do batalhão da cidade em 24 de setembro e veio à tona neste fim de semana após o vídeo que mostra as agressões circular nas redes sociais. Tudo aconteceu na frente dos três filhos menores de idade que acompanhavam a mulher, entre eles uma criança autista de três anos.

O vídeo mostra um PM empurrando a mulher e depois desferindo socos e tapas. Outros três homens, sendo um fardado, olham passivamente as agressões, que param somente quando uma mulher com a farda da PM retira o colega de cima da vítima.

A PM de Mato Grosso do Sul informou que identificou os envolvidos na ocorrência e abriu Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias que resultaram no fato. 


Ao UOL, a vítima contou que mora em Corumbá (MS) e estava em Bonito para um passeio em família com três dos quatro filhos para comemorar o aniversário de 44 anos. Um deles é uma menina autista de três anos. A confusão que a fez ser conduzida à delegacia de Polícia Civil começou no restaurante em frente à pousada onde estava hospedada. 

Ao realizar o pedido, segundo a vítima, a comida teria demorado para ficar pronta, o que causou desconforto na filha autista. 

"Minha bebê se divertiu muito, e ficou com fome, pois ela ama comer arroz e feijão. Fui até ao restaurante com ela no colo e perguntei se já estava pronto. Ela [funcionária do restaurante] disse para sentar um pouco. Passou mais de uma hora e meia e minha bebê surtou, claro, pois estava com fome. Fui questionar o motivo de tanta demora e se podiam dar algo para dar bebê, que estava aos prantos", relatou a empresária, que preferiu não se identificar.

A vítima acrescenta que teria sido empurrada pela funcionária do restaurante com a criança de três anos no colo.

"Ela não gostou [da cobrança pela refeição], me empurrou e xingou a minha bebê de 'verme de sociedade'. Eu caí ao chão com a bebê, a deixei no chão e fui para cima dela. Foi assim que tudo começou."

As duas teriam sido separadas pela filha mais velha da vítima, uma adolescente de 17 anos. Além dela, um filho de seis anos também estava no passeio.

A mulher ainda conta que a família retornou à pousada após a confusão. A Polícia Militar, então, teria batido na porta do quarto minutos depois. Ela narra que foi puxada pelos cabelos para fora do estabelecimento por um segundo-tenente da PM e conduzida algemada em uma viatura sob alegação de desacato após tentar explicar o que aconteceu.

"Tentei explicar o ocorrido. Esse tenente me obrigou a sair do quarto me levando pelos cabelos para fora do hotel", completa.

Agressões aconteceram na frente dos filhos


Os PMs levaram a empresária para o batalhão da cidade antes de ser conduzida à Delegacia de Polícia Civil. No local, o oficial que a teria puxado pelos cabelos na pousada a agrediu com socos e tapas, conforme mostram as imagens registradas pelas câmeras de segurança.

As agressões teriam sido provocadas, segundo a vítima, após ela se desesperar ao saber que os filhos seriam levados pelo Conselho Tutelar para um abrigo.

"O tenente deu ordem para me deixar presa porque eu tinha desacatado. Ninguém estava no batalhão e o tenente que mandava. [A agressão] foi quando o conselho chegou e levou meus filhos. Eu entrei em desespero. Não me ouviram. Nem me deixaram ao menos ligar para alguém. Me senti indefesa", conta.

A mulher ficou presa por 48 horas pelo suposto crime de desacato. Neste período, o marido ficou sabendo da ocorrência, pois é cabo da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Ele se dirigiu a Bonito, resgatou os filhos do abrigo e deu assistência à mulher.

De acordo com a vítima, não foi possível registrar boletim de ocorrências nem ser ouvida pelo delegado. Ela também alega que não realizou exame de corpo de delito das agressões sofridas, pois o serviço não estava disponível no momento, o que a forçou a não denunciar o caso à Corregedoria da PM. Agora, com as imagens em mãos, a intenção é dar andamento no registro.

"Não fiz a denúncia na ocasião porque não tinha provas. Pedi a imagens e os policiais me disseram que não funcionavam as câmeras. Hoje, quando soube da repercussão, agradeci a Deus, pois essa impunidade não ficará somente na minha mente", diz.