Blog do Roberto Ventura

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Política se faz com diálogo, razão, estratégia e humildade

26/05/2026 10h10 - Atualizado em 26/05/2026 10h10
Política se faz com diálogo, razão, estratégia e humildade

É evidente que, após vencer uma eleição, nenhum candidato eleito mantém integralmente os votos que recebeu nas urnas. Ao assumir o mandato, o gestor já não conta com os mesmos índices de aprovação e aceitação popular obtidos durante a campanha. Isso é natural, aceitável e faz parte da dinâmica da política. Entretanto, é necessário sabedoria, humildade e inteligência para compreender quando, como e onde conquistar novos apoiadores, simpatizantes e, consequentemente, futuros eleitores.

Falemos das eleições municipais. Suponhamos que um candidato tenha obtido dez mil votos em determinado pleito. Ao iniciar sua gestão, provavelmente contará com cerca de 60% desse apoio popular. Diante disso, surge a pergunta: o que fazer? Como agir?

Existem diversos fatores que contribuem para a perda de apoio político. O principal deles é que nenhum gestor consegue atender plenamente às expectativas e aos anseios de todo o seu eleitorado. Durante a campanha, promete-se muito; na prática, realiza-se menos do que o esperado.

Por isso, é fundamental saber ouvir e cercar-se de pessoas sérias, competentes, autênticas e preparadas. É necessário escutar profissionais qualificados, como marqueteiros, cientistas políticos, sociólogos, jornalistas políticos, publicitários e políticos experientes, sobretudo aqueles comprometidos com a responsabilidade e a ética. Não se deve buscar orientação em pessoas movidas pelo ódio, pelo revanchismo, pela perseguição ou pela emoção exagerada, pois essas tendem a analisar a política pela arrogância e pela paixão, e não pela razão.

Se o gestor já não possui a totalidade do apoio recebido nas urnas, torna-se indispensável trabalhar para recompor sua base política, fortalecer sua equipe e ampliar seu grupo de aliados. É preciso conquistar novos apoiadores que possam substituir aqueles que se afastaram ao longo do caminho e, assim, garantir sustentação para os próximos pleitos eleitorais.

Mas como fazer isso?

Primeiramente, é necessário separar o joio do trigo, colocando cada pessoa em seu devido lugar e valorizando quem realmente soma à administração. Além disso, é importante conquistar eleitores que votaram no adversário por gratidão, amizade, emprego ou circunstâncias momentâneas. Esses eleitores, muitas vezes, podem ser conquistados através de uma gestão equilibrada, humana e eficiente.

Por outro lado, existem os eleitores mais radicais, aqueles que foram beneficiados diretamente por antigas administrações com privilégios, altos salários, cargos, vantagens pessoais e prestígio político. Esses, mesmo diante de novas oportunidades, dificilmente abandonarão o grupo político ao qual sempre estiveram ligados.

Diante disso, é preciso muita cautela na hora de decidir a quem ouvir e em quem confiar. O pior erro de um gestor é se deixar influenciar por pessoas despreparadas, bajuladoras ou movidas por sentimentos de vingança e ressentimento. Essas figuras costumam ser verdadeiros obstáculos para qualquer administração e podem comprometer o futuro político de quem governa.

Ampliar um grupo político exige critério, equilíbrio e racionalidade. O gestor precisa agir mais com a razão do que com a emoção, pois decisões tomadas pelo impulso podem colocar em risco projetos futuros, inclusive uma possível reeleição.

A história política está repleta de exemplos de líderes que terminaram isolados, fracassaram eleitoralmente ou desapareceram da vida pública após seus mandatos. Muitos deles cometeram o erro de ignorar pessoas experientes e capacitadas, preferindo ouvir conselhos de indivíduos amadores, oportunistas e guiados apenas por interesses pessoais.

Portanto, ouvir as pessoas certas e tomar decisões com prudência são atitudes essenciais para quem deseja construir uma trajetória política sólida, equilibrada e duradoura.

Fica a reflexão.

Sobre o blog

Roberto Ventura: Bel. em   Ciências Sociais ( Cientista Político),   Jornalista, Radialista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Marketing, cursou Marketing Político, Ex-Arbitro de Futebol Profissional

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