Blog do Roberto Ventura
A força de um governo começa pela escolha do secretariado; nomeações políticas sem qualificação comprometem a gestão
Em meados do ano de 2013, fui convidado, na condição de analista político, a participar do programa A Notícia É O Show, então apresentado por um dos mais respeitados radialistas de Alagoas, Hermes Marques, na Rádio Quilombo, em União dos Palmares. Na ocasião, o então candidato Beto Baía havia recentemente vencido as eleições, tendo como adversário o ex-governador Manoel Gomes de Barros.
Durante a entrevista, foi-me dirigida a seguinte indagação: “Como deve proceder o prefeito Beto Baía na escolha de seu secretariado? Quais critérios devem nortear essa decisão? ”
Em resposta, destaquei que a composição do secretariado deve observar, fundamentalmente, dois critérios essenciais. O primeiro diz respeito às qualidades individuais dos indicados: é imprescindível que o secretário seja sério, competente e reúna, de forma equilibrada, atributos técnicos e políticos. Um perfil exclusivamente técnico revela-se insuficiente, assim como um perfil estritamente político também não atende às exigências da função. O ideal é que haja uma harmonia entre essas dimensões, permitindo ao gestor atuar com eficiência administrativa e sensibilidade política.
Sob o aspecto técnico, cabe ao secretário dinamizar sua pasta, promover uma gestão eficiente e assegurar que as ações governamentais resultem em benefícios concretos para a população. Sob o aspecto político, espera-se que esse desempenho contribua para o fortalecimento do grupo político ao qual está vinculado, refletindo, inclusive, na consolidação do apoio popular.
A grande maioria dos gestores nomeia secretários com base em acordos políticos que, cabe ressaltar, muitas vezes precisam ser cumpridos em nome da governabilidade. Entretanto, é fundamental que determinados critérios sejam observados. A nomeação de secretários sem qualificação técnica e experiência política adequadas pode gerar prejuízos significativos à administração pública, tanto no desempenho técnico quanto na articulação política.
É evidente que um gestor à frente de uma secretaria cuja atuação não se traduz em benefícios efetivos para a população deixa de cumprir sua finalidade pública. Nessas condições, sua permanência no cargo torna-se injustificável. Mais do que isso, tais nomeações sequer deveriam ter sido realizadas; contudo, em nome de compromissos políticos, o prefeito acaba por impor a si próprio e ao seu grupo um ônus significativo.
Esse cenário acarreta dificuldades concretas na mobilização e transferência de votos para candidatos apoiados pelo gestor municipal, sejam eles ao Senado, ao governo estadual ou às esferas legislativas. Agrava-se o problema quando se constata que determinados secretários não dispõem de base eleitoral, vínculos com a comunidade local ou histórico de serviços prestados à população. Tal realidade evidencia a fragilidade política da equipe e impõe sérios obstáculos à estratégia de sucessão municipal.
Diante desse quadro, impõe-se uma reflexão pragmática: ou o prefeito promove uma reestruturação profunda em seu secretariado, pautando-se por critérios técnicos e políticos consistentes, ou enfrentará sérias dificuldades no campo político, inclusive colocando em risco o êxito de seu eventual sucessor.
Sobre o blog
Roberto Ventura: Bel. em Ciências Sociais ( Cientista Político), Jornalista, Radialista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Marketing, cursou Marketing Político, Ex-Arbitro de Futebol Profissional
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