Blog do Roberto Ventura
Quem decide a eleição municipal é o povo, não o governador; a vontade do eleitor acima das influências estaduais
Muitos acreditam, equivocadamente, que o governador eleito tem o poder de determinar o resultado das eleições majoritárias nos municípios. Trata-se de um grande engano.
É claro e evidente que o apoio do governador é extremamente importante, mas, por si só, não decide uma eleição, seja ela polarizada ou não.
Quem decide as eleições em um município são os próprios munícipes. São as lideranças locais e, sobretudo, a população da cidade, que exerce seu direito de escolher seus representantes por meio do voto.
No caso de um prefeito, sua principal missão é atender às necessidades básicas da população, priorizando o bem-estar dos cidadãos, especialmente daqueles que mais precisam. É dever do gestor promover uma administração comprometida com a justiça social, valorizar os profissionais da própria terra, cumprir os compromissos assumidos perante a população e trabalhar de forma transparente e responsável. Acima de tudo, deve governar para todos, sem distinções ou privilégios, garantindo que os benefícios da gestão alcancem toda a comunidade, e não apenas uma minoria favorecida.
Quanto ao processo eleitoral municipal, o apoio de um governador pode ser importante e contribuir para uma candidatura, mas não é ele quem define o resultado de uma eleição. A decisão final pertence ao povo, que exerce seu direito de escolha por meio do voto.
O mesmo vale para a oposição. Antes de tudo, o pretenso candidato precisa fazer uma autoanálise realista sobre suas chances de vencer a eleição. Sem um grupo sólido, sem articulação política, sem reuniões e sem credibilidade junto à população, dificilmente chegará ao poder. E isso independe de o candidato ao governo que ele apoia sair vitorioso nas eleições.
Muitos analfabetos políticos insistem em acreditar que uma eventual vitória de JHC decidirá automaticamente as eleições municipais. Da mesma forma, há quem pense que, se Renan Filho vencer, poderá eleger qualquer prefeito que apoiar. Os dois lados cometem o mesmo erro: superestimam a influência de uma eleição sobre outra e ignoram a força das realidades locais e da decisão soberana do eleitor. A dinâmica eleitoral é muito mais complexa e depende de diversos fatores locais, da força das lideranças regionais e, principalmente, da vontade do eleitor.
É fato que as eleições municipais se diferenciam das demais disputas eleitorais. Nesse processo, o eleitor participa de forma mais direta, pois está mais próximo do prefeito e da realidade administrativa do município. Essa proximidade permite que ele acompanhe de perto as ações do governo local, cobre os compromissos assumidos em praça pública e reivindique melhorias para sua rua, seu bairro e sua comunidade. Por isso, a formação da opinião do eleitor nas eleições municipais está muito mais ligada ao cotidiano da cidade e à atuação dos gestores locais do que à influência do governador ou de outras lideranças estaduais.
Tenho visto alguns pretensos candidatos a prefeito posando ao lado dos candidatos ao Governo de Alagoas, seja com Renan Filho ou com JHC. No entanto, não é conquistando a amizade ou o apoio do governador que alguém garantirá sua eleição para prefeito. Antes de tudo, é preciso conquistar a confiança do eleitor da própria cidade, construir alianças com lideranças políticas locais e obter o apoio dos diversos segmentos da sociedade. Sem essa base sólida, qualquer apoio vindo de cima perde força e corre o risco de não produzir os resultados esperados nas urnas.
Se fosse assim, o resultado da última eleição em Messias teria sido diferente. O então candidato a prefeito apoiado pelo ex-prefeito Jarbas Omena teria saído vitorioso. Naquela campanha, o então governador Renan Filho chegou a deixar de participar de eventos em cidades com maior densidade eleitoral para comparecer a Messias, numa tentativa de fortalecer a candidatura de Adelmo Júnior durante o último comício. No entanto, a estratégia não surtiu efeito. Marcos Silva venceu a eleição, conquistou o poder e encerrou a hegemonia política da família Omena, que perdurava havia cerca de 20 anos no município.
Sobre o blog
Roberto Ventura: Bel. em Ciências Sociais ( Cientista Político), Jornalista, Radialista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Marketing, cursou Marketing Político, Ex-Arbitro de Futebol Profissional
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