Politicando
Cada cadeira conta: PSDB fecha chapa para a ALE pensando na governabilidade de JHC
A disputa que se anuncia para outubro deu o tom da convenção do PSDB nesta quarta-feira (5): uma corrida polarizada entre JHC e o emedebista Renan Filho pelo comando do Palácio dos Martírios, na qual cada cadeira da Assembleia Legislativa de Alagoas pesa como moeda de barganha. Isso porque, mesmo vencendo a disputa pelo governo, JHC pode assumir com uma bancada tucana reduzida na Casa e precisar negociar apoio com deputados estaduais de outras legendas para garantir governabilidade — cenário bem diferente do projetado para o adversário.
O MDB, afinal, chega à eleição em posição mais confortável dentro da própria Assembleia estadual: monta uma chapa mais extensa de candidatos a deputado estadual e trabalha com a perspectiva de emplacar a maior bancada da Casa de Tavares Bastos, o que daria a Renan Filho uma base parlamentar ampla já no início de um eventual mandato. É justamente esse desequilíbrio de forças que torna cada vaga na Assembleia conquistada pelo PSDB estrategicamente mais valiosa — e ajuda a explicar por que a formação da chapa tucana para a Casa virou um imbróglio à parte.
Marcada para começar à tarde, a convenção só terminou de madrugada. O motivo principal foi a ausência de JHC, que não compareceu ao evento em que o partido definia justamente sua chapa para a Assembleia Legislativa estadual. Sem a liderança máxima da legenda presente para dar respostas, cresceu entre os presentes a sensação de insegurança quanto aos rumos da campanha — terreno fértil para desconfianças e para a demora nas tratativas.
O impasse quase custou a própria lista de candidatos a deputado estadual. Mais de um pré-candidato chegou a ameaçar deixar a disputa diante da entrada de nomes com apelo eleitoral considerado alto demais, o que acendeu o temor de uma canibalização de votos dentro do próprio grupo. Prevaleceu, ao fim, o entendimento pela manutenção de todos os nomes: Tenorinho Malta, Aldo Loureiro, João Catunda, o professor Beto Brito, Ival Gaia e Lucas Barbosa completam a chapa tucana para a Assembleia.
A entrada de Lucas Barbosa, aliás, foi um dos pontos mais disputados da negociação. Francisco Sales, também candidato a deputado estadual e nome de extrema confiança de JHC na costura da lista, defendeu a candidatura do filho do prefeito Luciano Barbosa com o argumento de que ela aeria bem vinda porque reforçaria o desempenho tucano no Agreste e poderia viabilizar a eleição de mais nomes do grupo para a Assembleia. A defesa de Sales enfrentou resistência inicial de alguns pré-candidatos, mas terminou prevalecendo.
Fechada a chapa para a Assembleia Legislativa de Alagoas, o clima de tensão deu lugar a uma expectativa mais otimista dentro do partido: das duas ou três cadeiras cogitadas inicialmente, o PSDB passou a projetar a eleição de até quatro deputados estaduais.
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