Blog do Roberto Ventura

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Entre a lealdade e o oportunismo: os que vivem à sombra do poder

Em Messias, a proximidade com o poder público levanta questionamentos sobre interesses pessoais, conveniências políticas e a fidelidade de quem muda de discurso conforme as circunstâncias.

26/09/2026 09h09 - Atualizado em 26/09/2026 13h01
Entre a lealdade e o oportunismo: os que vivem à sombra do poder

Discursos emotivos, apaixonados e efervescentes, às vezes até desesperados, são proferidos por pessoas que se aproveitam de uma gestão ou de um gestor para garantir não apenas o próprio emprego, mas também o de familiares e aliados.

Para agradar ao chefe, recorrem a todos os tipos de artifícios: riem sem vontade, emocionam-se sem motivo aparente, choram quando necessário e transformam qualquer situação em uma demonstração exagerada de lealdade e devoção.

O mais grave, porém, é que essa prática vergonhosa e descarada parte, muitas vezes, de pessoas que ostentam uma condição financeira confortável e que, aparentemente, não dependem do poder público para sobreviver.

Outro detalhe importante é que esse tipo de gente - se é que assim podemos chamá-los - não tem fidelidade a nenhum político, muito menos ao gestor e, evidentemente, à própria gestão. Para essas pessoas, o que realmente importa é estar próximo do poder e usufruir das benesses que ele proporciona, muitas vezes em benefício próprio e de seus familiares.

Apostam, por vezes, na ingenuidade, na imaturidade e na falta de percepção do gestor para identificar e compreender quem são, de fato, aqueles que se posicionam conforme as circunstâncias: os famosos “a favor quando convém e contra quando interessa”.

São pessoas que não defendem princípios, projetos ou uma gestão. Defendem, acima de tudo, os próprios interesses, ajustando discursos e posicionamentos conforme a conveniência e as possibilidades de permanecerem próximas ao poder. Mudam de lado quando lhes convém, adaptam suas convicções às circunstâncias e colocam os interesses pessoais acima de qualquer compromisso coletivo. São, verdadeiramente, lobos em pele de cordeiro.

Essa prática vergonhosa, asquerosa e repugnante, tem sido uma constante na seara política em todo o Brasil e, claro, em Messias não seria diferente. Nesse município, infelizmente, essa realidade também se faz presente, evidenciando uma situação que merece atenção e indignação.

Isso atinge e constrange o próprio grupo político que, ao tomar conhecimento dos benefícios concedidos a falsos correligionários, percebe que, muitas vezes, aqueles que verdadeiramente vestem a camisa e dedicam sangue, suor e lágrimas ao sucesso da gestão e do próprio gestor acabam sendo deixados de lado, em detrimento dos interesses daqueles que se apresentam como aliados, mas que, na prática, não compartilham dos mesmos compromissos e propósitos.

Entretanto, é importante destacar que esse fenômeno não é exclusivo da atual administração, tampouco se trata de uma situação específica ou isolada. Trata-se de uma prática que, infelizmente, pode ser observada em diferentes gestões e contextos políticos.

É nesse contexto de falta de caráter e de vergonha que surgem pessoas capazes de fazer qualquer coisa para permanecer no poder, ao lado de quem está no poder e usufruindo de seus benefícios.

Pessoas dessa natureza parecem não ter amor-próprio nem princípios. Negociam convicções, valores e até a própria dignidade para garantir um lugar junto ao poder. Não importa quem esteja governando, elas sempre encontram uma maneira de se acomodar, participar e tirar proveito da situação.

Para essas pessoas, princípios são apenas circunstâncias; o que realmente importa é permanecer perto do poder, independentemente de quem o exerça.

Essas pragas nocivas à população e, sobretudo, a gestão, ostentam bandeiras, erguem faixas, espalham cartazes, colam santinhos nas paredes, participam de comícios, abraçam candidatos, choram e juram fidelidade. No entanto, por trás de toda essa encenação, muitas vezes não há convicção ou lealdade, mas apenas falsidade, oportunismo e interesse próprio, aproveitando-se da ocasião para obter vantagens.

Sobre o blog

Roberto Ventura: Bel. em   Ciências Sociais ( Cientista Político),   Jornalista, Radialista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Marketing, cursou Marketing Político, Ex-Arbitro de Futebol Profissional

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