Relembre os atletas alagoanos que defenderam o Brasil em Copas do Mundo

Por Erick Balbino/7Segundos |

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega, por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, colocou fim ao sonho do hexacampeonato. A partida foi marcada por muita intensidade, lances polêmicos e emoção até os minutos finais. O Brasil desperdiçou um pênalti durante o jogo, viu a arbitragem assinalar outra penalidade nos acréscimos, convertida por Neymar, mas acabou derrotado pela atuação decisiva do atacante Erling Haaland, autor dos dois gols da seleção norueguesa.

Embora a atual equipe brasileira não conte com jogadores alagoanos entre seus convocados, a história das Copas do Mundo guarda uma forte presença de nomes nascidos ou formados em Alagoas. Ao longo de diferentes gerações, o estado contribuiu com atletas que participaram de campanhas históricas, conquistaram títulos mundiais e ajudaram a consolidar o futebol brasileiro entre os maiores do planeta.

DIDA (ATACANTE)


O primeiro grande nome de Alagoas na história das Copas foi Edvaldo Jizídio Neto, o Dida atacante.Maior ídolo de Zico no futebol, o atacante faleceu em 17 de setembro de 2002, no Rio de Janeiro, cidade onde foi sepultado, aos 68 anos.

Natural de Maceió, Dida foi campeão mundial em 1958, na Copa do Mundo da Suécia, integrando a histórica Seleção Brasileira que conquistou o primeiro título mundial do país. Representando Alagoas no cenário mais alto do futebol, tornou-se um dos grandes nomes de sua geração.

No Flamengo, clube pelo qual entrou para a história, Dida conquistou três títulos estaduais consecutivos (1953, 1954 e 1955) e consolidou-se como um dos maiores artilheiros da história rubro-negra, com 244 gols marcados, marca que o coloca entre os maiores ídolos do clube.

Revelado pelo CSA no início da década de 1950, transferiu-se para o Flamengo em 1954, onde permaneceu até 1964. Em seguida, atuou pela Portuguesa de Desportos, permanecendo por duas temporadas no clube do Canindé, antes de seguir para o Atlético Junior, da Colômbia, onde encerrou sua carreira como jogador em 1968.

Na Portuguesa, Dida foi vice-campeão paulista de 1964, integrando um elenco marcante e competitivo. Atuou ao lado de nomes como Orlando (Gato Preto), Félix, Jair Marinho, Ditão, Wilson Silva, Wilson Pereira, Edilson, Henrique Pereira, Pampolini, Nair, Almir, Neivaldo, Ivair, Nilson Bocão e Silvio Major, além de seu grande amigo e companheiro de Flamengo e Seleção, Henrique Frade. O técnico da equipe era Aimoré Moreira.

ZAGALLO

Poucos personagens do futebol mundial possuem um currículo comparável ao de Mário Jorge Lobo Zagallo, nascido em Atalaia. Único tetracampeão mundial, o Velho Lobo faleceu em 5 de janeiro deste ano, aos 92 anos, deixando um dos maiores legados da história do futebol.

Natural de Atalaia, em Alagoas, mudou-se ainda bebê para o Rio de Janeiro e construiu toda sua trajetória no futebol carioca. Revelado pelo Flamengo em 1951, foi convocado para a Copa do Mundo de 1958 e integrou o elenco campeão na Suécia, marcando um gol na vitória sobre os anfitriões.

Em seguida, brilhou no Botafogo, onde atuou até 1965 ao lado de craques como Garrincha, Didi e Nilton Santos, tornando-se um dos grandes nomes da história do clube.

Como treinador e dirigente, teve carreira igualmente marcante: comandou o Botafogo, foi campeão brasileiro em 1968 e, em 1970, dirigiu a Seleção Brasileira na conquista do tricampeonato mundial. Anos depois, retornou à Seleção como coordenador técnico e participou da campanha do tetracampeonato em 1994, sob o comando de Carlos Alberto Parreira.

Ao longo de sua trajetória, também trabalhou em clubes do Brasil e do exterior e encerrou sua longa passagem pelo futebol após a Copa do Mundo de 2006, como um dos maiores símbolos da Seleção Brasileira.

DIDA - GOLEIRO

Décadas depois, outro nome ligado a Alagoas alcançaria destaque internacional. Nélson de Jesus Silva, o goleiro Dida, nasceu em Irará, na Bahia, mas chegou a Alagoas ainda bebê, com apenas três meses de vida. O jogador construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história do futebol brasileiro e da Seleção Brasileira.

Entre 1995 e 2007, foi presença constante na Amarelinha, participando de três Copas do Mundo (1998, 2002 e 2006) e integrando o elenco campeão mundial de 2002, no pentacampeonato no Japão e na Coreia do Sul.

Pela Seleção, também conquistou a Copa América de 1999 e as Copas das Confederações de 1997 e 2005, além da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e do título mundial Sub-20. Ficou marcado pela segurança debaixo das traves e pela eficiência em defesas de pênaltis.

Revelado pelo Vitória, destacou-se ainda por Cruzeiro e Corinthians antes de alcançar projeção internacional no Milan, onde se tornou ídolo e conquistou a Liga dos Campeões da UEFA. Também atuou por Grêmio e Internacional, encerrando sua carreira no futebol brasileiro.

ROBERTO FIRMINO

A geração mais recente teve como representante Roberto Firmino. Natural de Maceió, Roberto Firmino construiu uma carreira de destaque no futebol internacional após iniciar sua trajetória no Brasil. 

Revelado pelo CRB e com passagem pelo Figueirense, ganhou projeção ao se destacar na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2009. Em 2010, transferiu-se para o Hoffenheim, da Alemanha, onde atuou por quatro temporadas e meia e se consolidou no futebol europeu, com boas atuações e grande contribuição ofensiva.

Em 2015, foi contratado pelo Liverpool, da Inglaterra, onde viveu o auge da carreira. Sob o comando de Jürgen Klopp, tornou-se peça fundamental da equipe, conquistando títulos como a Liga dos Campeões da UEFA, o Mundial de Clubes e a Premier League, além de atuar em alto nível por oito temporadas.

Pela Seleção Brasileira, Firmino passou a ser presença constante a partir da era Tite, disputando a Copa do Mundo de 2018 e marcando gols importantes com a camisa amarelinha.

Após deixar o Liverpool, seguiu carreira no futebol do Oriente Médio, defendendo o Al Ahli e, posteriormente, o Al Sadd.

ALAGOANOS QUE DEFENDERAM OUTRAS SELEÇÕES

  • Embora o foco seja a Seleção Brasileira, outros dois alagoanos também disputaram Copas do Mundo representando diferentes países.

    O zagueiro Pepe, nascido em Maceió e revelado nas categorias de base do CRB, naturalizou-se português e construiu uma carreira histórica na Europa. Ídolo de Porto e Real Madrid, conquistou três Liga dos Campeões, foi campeão da Eurocopa de 2016 e disputou quatro Copas do Mundo por Portugal (2010, 2014, 2018 e 2022).

    Mesmo encerrando recentemente a carreira internacional, permanece como um dos maiores defensores da história do futebol português.

  • Outro nome importante é Alexandre Guimarães, nascido em Maceió. Ainda criança mudou-se para a Costa Rica, onde se naturalizou e passou a defender a seleção nacional.

    Como jogador, disputou a Copa do Mundo da Itália, em 1990, ajudando os costa-riquenhos a alcançarem as oitavas de final em uma campanha considerada histórica para o país.

    Anos depois, voltaria aos Mundiais como treinador da própria Costa Rica, em 2002 e 2006.

A RAINHA QUE LEVOU O NOME DE ALAGOAS PARA O MUNDO

Quando o assunto é Copa do Mundo, nenhum nome alagoano alcançou projeção internacional tão ampla quanto Marta Vieira da Silva.

Nascida em Dois Riachos, no Sertão alagoano, Marta transformou-se na principal referência do futebol feminino mundial. Sua estreia em Copas aconteceu em 2003 e, desde então, participou também das edições de 2007, 2011, 2015, 2019 e 2023.

Ao longo da carreira, conquistou seis vezes o prêmio de melhor jogadora do mundo, tornou-se recordista de gols em Copas do Mundo Femininas e foi reconhecida internacionalmente como uma das atletas mais influentes da história do esporte. Sua trajetória ajudou a ampliar a visibilidade do futebol feminino no Brasil e inspirou gerações de meninas a ingressarem na modalidade.

LEGADO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

Das primeiras conquistas mundiais da Seleção Brasileira à consolidação do futebol feminino, Alagoas sempre esteve presente na maior competição do esporte.

Dida (atacante) ajudou o Brasil a conquistar sua primeira estrela. Zagallo tornou-se o maior vencedor da história das Copas. Dida (goleiro) levantou a taça do hexa com os brasileiros. Firmino representou a geração contemporânea da Seleção. Pepe brilhou por Portugal. Alexandre Guimarães fez história pela Costa Rica. E Marta transformou-se em referência mundial, inspirando milhões de meninas dentro e fora do Brasil.

Embora o estado não tenha representantes na atual seleção masculina, o legado construído pelos alagoanos permanece vivo. Afinal, a história das Copas do Mundo também foi escrita por talentos nascidos em solo alagoano.