Caso Maria Daniela: prisão de 'Vitinho' encerra fuga, mas mantém busca por justiça

Acusado de dopar e estuprar jovem em Coité do Nóia foi preso nesta sexta-feira (10)

Por 7Segundos |

Após sete meses sendo considerado foragido, Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como “Vitinho”, foi preso nesta sexta-feira (10) pela Polícia Civil de Alagoas. O jovem é investigado por estuprar, agredir e tentar matar Maria Daniela Ferreira Alves, de 19 anos, em um caso que chocou o município de Coité do Nóia e ganhou repercussão nacional.

A prisão aconteceu após o cumprimento de um mandado de prisão preventiva. Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi localizado na zona rural do Agreste alagoano e, posteriormente, se apresentou no Fórum da Comarca de Taquarana, onde passou por audiência de custódia, tendo a prisão homologada. Em seguida, ele foi encaminhado para a Delegacia Geral da Polícia Civil, em Maceió, onde passa pelos procedimentos legais.

O crime aconteceu no dia 6 de dezembro de 2024, após uma confraternização escolar realizada em uma chácara da família do investigado, no povoado Poção, zona rural de Coité do Nóia. Desde então, familiares da vítima passaram a cobrar respostas das autoridades, principalmente após o estado de saúde de Maria Daniela se tornar público. A jovem sofreu graves sequelas graves após a violência sofrida e permanece em tratamento.

De acordo com as investigações, Maria Daniela teria sido vítima de violência sexual, agressões físicas e asfixia. Ela sofreu um traumatismo craniano grave, ficou cinco dias em coma e passou a conviver com sequelas neurológicas permanentes, que afetaram sua autonomia e exigem acompanhamento médico contínuo.

Exames toxicológicos apontaram a presença de cinco substâncias no organismo da jovem: Diazepam, Fenitoína, Haloperidol, Nordiazepam e Prometazina. Segundo a Polícia Civil, a Prometazina possui efeito sedativo e pode ser utilizada para facilitar a prática de crimes.

O laudo pericial também apontou que Maria Daniela sofreu privação de oxigênio por tempo suficiente para provocar lesões cerebrais graves.

Ao longo das investigações, Victor Bruno negou envolvimento no crime. A defesa e familiares do investigado afirmaram anteriormente que ele teria prestado socorro à jovem após ela passar mal e sustentaram que ele não teria participado das agressões.

Defesa afirma que Vitinho se apresentou voluntariamente à Justiça

  • A defesa de Victor Bruno da Silva Santos afirmou que o jovem se apresentou voluntariamente às autoridades, por meio dos advogados, para cumprir a determinação judicial.

    Em nota, os advogados disseram que a apresentação representa confiança na Justiça e que o acusado terá a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos durante o processo.

    A defesa também afirmou repudiar o que chamou de “notícias falsas”, “versões fantasiosas” e informações que, segundo os advogados, não fazem parte dos autos da investigação.

    Segundo a manifestação, o caso deve ser analisado com base nas provas produzidas no processo e não por informações divulgadas fora do ambiente judicial.

    “A apresentação espontânea é ato de confiança na Justiça. Victor Bruno comparece para exercer, no foro adequado, o direito constitucional de apresentar a sua versão dos fatos”, diz um trecho da nota.

    Os advogados afirmaram ainda que todos os esclarecimentos sobre o mérito das acusações serão apresentados exclusivamente durante o andamento do processo.

  • Leia a nota na íntegra

    A defesa técnica de Victor Bruno da Silva Santos informa que, nesta data, o acusado foi apresentado voluntariamente às autoridades competentes, por intermédio de seus advogados, a fim de ser ouvido em audiência perante o Poder Judiciário.

    A apresentação espontânea é ato de confiança na Justiça. Victor Bruno comparece para exercer, no foro adequado - o processo, o direito constitucional de apresentar a sua versão dos fatos, submetendo-se ao contraditório e às determinações judiciais.

    A defesa manifesta consideração à jovem e à sua família, e é precisamente por respeito à seriedade do caso que repudia, com veemência, a proliferação de notícias falsas, versões fantasiosas e narrativas construídas à margem dos autos, sem lastro em qualquer elemento de prova. 

    A divulgação irresponsável de fatos inventados viola a presunção de inocência, compromete a serenidade da instrução criminal e institui verdadeiro julgamento paralelo, incompatível com o Estado Democrático de Direito. 

    Quem fabrica fatos e distorce provas não presta serviço à jovem, à Justiça ou à sociedade, apenas contamina o debate público e dificulta o que realmente importa: a reconstrução rigorosa dos fatos sob o crivo do contraditório. 

    Este caso será julgado pelo juiz natural da causa, com base exclusivamente na prova validamente produzida no processo, e não por manchetes, perfis anônimos ou tribunais de internet.

    Todos os esclarecimentos sobre o mérito serão prestados exclusivamente nos autos.

Advogada de Maria Daniela diz que prisão é uma vitória, mas luta continua

Após a prisão de Vitinho, a advogada da jovem Maria Daniela, Júlia Nunes, afirmou que o momento representa uma “pequena vitória”
, mas destacou que a busca por justiça ainda não terminou.

Segundo ela, a mobilização da sociedade contribuiu para que o investigado deixasse a condição de foragido.

“Se hoje ele se apresentou, não foi porque ele quis; foi porque vocês, junto comigo, fizeram com que ele estivesse preso dentro de uma casa. Não dentro do sistema prisional, porque a polícia falhou e as autoridades falharam ao não o capturar, mas fomos nós que fizemos com que ele ficasse preso”, declarou.

A advogada afirmou que a próxima etapa é garantir que Vitinho permaneça preso e seja responsabilizado caso seja condenado pela Justiça.

Júlia Nunes também declarou que Maria Daniela relatou a existência de outros homens que estariam no local no dia do crime e defendeu que as investigações continuem para identificar possíveis envolvidos.

“É só o começo. A gente não vai deixar esse caso ser esquecido”, afirmou.


Vitinho chega à Delegacia Geral, em Maceió, após prisão

Após se apresentar em Taquarana, Victor Bruno foi transferido para a capital alagoana e encaminhado à Delegacia Geral da Polícia Civil, no bairro Jacarecica, em Maceió.

O investigado chegou ao local após participar da audiência de instrução do processo, onde teve a prisão preventiva confirmada.

Vitinho permanece preso à disposição da Justiça.


“Eu quero agradecer a todo mundo que lutou por mim”, diz Maria Daniela após prisão de Vitinho

Em um vídeo publicado nas redes sociais da advogada Júlia Nunes, Maria Daniela Ferreira Alves apareceu emocionada após a prisão de Victor Bruno.

Na gravação, a jovem agradeceu às pessoas que acompanharam o caso e apoiaram sua busca por justiça.

“Eu quero agradecer a todo mundo que lutou por mim”, declarou Maria Daniela.

A prisão de Vitinho encerrou uma das principais etapas da investigação, mas o caso ainda segue em andamento na Justiça, com a expectativa pela responsabilização dos envolvidos e pela conclusão definitiva do processo.