Domingo, a força de Arapiraca entra em campo

ASA chega à decisão da Série D carregando a história e a identidade de uma das maiores cidades do Nordeste

Por Maria Villanova |

Quem conhece Arapiraca, sabe da sua importância para Alagoas: pelas suas ruas movimentadas, sua feira, seu comércio, sua gente e a história de uma cidade que cresceu no coração do Agreste e que se transformou no principal polo do interior do estado. Mas, neste domingo (6), é o futebol que vai contar essa história.

Quando o ASA entrar em campo no Estádio Coaracy da Mata Fonseca (Fumeirão), para a decisão do título da Série D do Campeonato Brasileiro contra o Uberlândia, vai levar com ele a memória de uma cidade que há mais de sete décadas encontrou no Alvinegro uma das mais fortes formas de expressar sua identidade.

Fundado em 1952, o ASA nasceu ao mesmo tempo em que Arapiraca ganhava novas dimensões. A cidade crescia impulsionada pelo comércio e, sobretudo, pelo fumo, que transformava sua economia. O clube, na época Associação Sportiva Arapiraquense, já nasceu “amostrado” e, em 1953, apenas um ano depois de sua fundação, conquistou pela primeira vez o Campeonato Alagoano.

Time do ASA de 1953, campeão do Alagoano. Imagem: Lauthenay Perdigão


A história do Alvinegro, tal qual Arapiraca, não ficou restrita ao estado. Durante décadas, a cidade chegou a ser conhecida como “Capital do Fumo” em boa parte do Nordeste, beneficiando a população com empregos, atraindo pessoas e contribuindo para a expansão urbana, que a fizeram prosperar.

E o ASA virou notícia nacional em 1973, quando Mané Garrincha vestiu a sua camisa em um amistoso contra o CSA. A presença do craque em Arapiraca se tornou um dos episódios mais lembrados da trajetória do clube.

Mas mudanças são necessárias e o ciclo do fumo ia diminuindo, ao passo que Arapiraca se transformava. O comércio se expandiu, os serviços ganharam força, universidades chegaram, a rede de saúde se consolidou e a cidade passou a receber diariamente moradores de diversos municípios do Agreste e do Sertão, atrás de emprego, vida nova e crescimento.

Em 1977, o clube alvinegro também passou por uma reformulação e adotou o nome Agremiação Sportiva Arapiraquense, mantendo a sigla ASA que já havia se tornado sua marca, acompanhando a expansão da cidade.

Dois anos depois, em 1979, o ASA disputou o Campeonato Brasileiro e avançou à segunda fase, em uma campanha que incluiu cinco vitórias consecutivas, demonstrando que um clube do interior alagoano e com a força do povo nordestino podia ocupar espaço entre equipes tradicionais de outras partes do país.

  • Arapiraca foi se tornando um polo regional e o ASA permaneceu como um dos símbolos dessa trajetória. A cidade crescia, e via como a camisa preta e branca pertencia à sua história. O clube era mais conhecido regionalmente, mas em 2002, o nome do ASA ultrapassou as fronteiras e caiu na boca do povo.

  • Na Copa do Brasil daquele ano, o Alvinegro enfrentou o Palmeiras. Em Arapiraca, venceu por 1 a 0. Na partida de volta, em São Paulo, perdeu por 2 a 1, mas avançou pelo critério do gol fora de casa. O gol da classificação, marcado por Sandro Goiano, transformou aquela noite em uma das maiores façanhas da história do clube, motivo de orgulho até hoje, consolidando o apelido "O Fantasma de Alagoas"

Em 2009, o clube conquistou novamente o Campeonato Alagoano e fez uma campanha histórica na Série C. Eliminou o Rio Branco-AC nas quartas de final, passou pelo Icasa na semifinal e garantiu o acesso à Série B. Na decisão, enfrentou o América-MG e terminou como vice-campeão. E em casa, faturava o Campeonato Alagoano. Um ano de glórias!

O ASA permaneceu na segunda divisão por quatro temporadas consecutivas, de 2010 a 2013. Naquele último ano, chegou também à final da Copa do Nordeste, diante do Campinense.

O clube viu a cidade do fumo se transformar, acompanhou seu crescimento e atravessou gerações mantendo o mesmo lugar na memória dos torcedores. Para quem nasceu em Arapiraca, o ASA faz parte da história. Para quem chegou depois, tornou-se parte da identidade.

Por isso, o Fumeirão (nome inspirado justamente no produto símbolo arapiraquense) é a casa mais querida daquele que vê seu coração em preto e branco. Ali se encontram diferentes gerações de torcedores, famílias inteiras, amigos de uma vida e memórias de décadas de futebol. É nesse palco que o ASA chega novamente a uma decisão nacional.

Uma cidade que cresceu e se tornou o coração econômico de uma extensa região de Alagoas e do Nordeste. Um clube que acompanhou essa transformação e ajudou a levar o nome do município para além de suas fronteiras. Duas forças que, neste domingo, entram juntas em campo pelo título da Série D do Campeonato Brasileiro.