Preferência por crianças mais novas atrasa fila de adoção em Alagoas
“Conta não fecha”, avalia a juíza Fátima Pirauá, da 28ª Vara Cível
A opção por crianças mais novas por parte das famílias pretendentes à adoção é muito comum. Esse acaba constituindo o principal fator que explica um longo período de espera após a habilitação, de acordo com a juíza Fátima Pirauá, titular da 28ª Vara Cível da Capital, onde tramitam esses processos, e Coordenadora Estadual da Infância e Juventude.
Alagoas teve 189 adoções em 2019, e 156 em 2020. Atualmente, há 478 crianças e adolescentes acolhidos em 29 instituições espalhadas pelo estado. Destas, 48 estão aptas para adoção, e outras 12, apenas, estão em processo de adoção, apesar de haver 355 famílias habilitadas.
“A criança, quando está apta a ser adotada, se tiver de 0 a 5 anos, ela não fica no abrigo nenhum dia a mais. Agora se a criança é maior, tiver alguma deficiência, ou for um grupo de irmãos, a gente não tem famílias habilitadas para esses perfis. Essa conta realmente não fecha”, diz a juíza.
Na outra ponta do processo, a situação da criança é analisada para que a Justiça defina se ela deve mesmo ir para a fila da adoção. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece o direito à convivência familiar, mas com prioridade para a família biológica.
Uma equipe multidisciplinar avalia a possibilidade de uma criança abrigada ser devolvida aos pais, ou ainda ficar sob a guarda, por exemplo, de um tio ou avô, a chamada família extensa. “Em tempos normais, isso é presencial, com visitas e entrevistas, então é um trabalho que ficou bem prejudicado nesse momento de pandemia.”, explica Fátima Pirauá.
Além da complexidade do trabalho, a habilitação de uma criança para adoção pode levar tempo devido aos eventuais recursos judiciais apresentados por familiares. “Às vezes um familiar ou os próprios pais recorrem na Justiça para que a criança continue na família”.
A magistrada reforça que qualquer decisão precisa ser pensada considerando o melhor interesse da criança. “Ela deve ser preservada junto à sua família biológica se isso for bom pra ela. Só quando temos um relatório conclusivo da equipe técnica de que não há a menor possibilidade de reinserção familiar, é quando a gente inicia a destituição familiar”.
Fátima Pirauá é uma das debatedoras do 10º Encontro Estadual de Adoção de Alagoas, que ocorre nesta terça-feira (25), oportunidade em que é celebrado o Dia Nacional da Adoção.
Últimas notícias
Helicóptero cai no Rio de Janeiro e mata quatro pessoas
São Sebastião abre inscrições para 240 vagas em cursos profissionalizantes gratuitos
Morre Jorge Messi, pai do jogador argentino Lionel Messi, aos 68 anos
Maceió ganha iluminação lilás em apoio à conscientização e combate à violência contra a mulher
Limoeiro de Anadia abre Agosto Lilás com caminhada em alerta à violência contra as mulheres
Homem morre em acidente de trânsito após cometer feminicídio em Jundiá
Vídeos e noticias mais lidas
MP sugere caminhões frigoríficos para armazenar corpos de vítimas da Covid-19
Comandante da PM emociona em homenagem a coronel que morreu após mal súbito
PM da Rotam é encontrado morto em apartamento na Pajuçara, em Maceió
Abastecimento do Tabuleiro é paralisado para conserto de rompimento em adutora
