Ame-se: Programa de reconstrução mamária completa 1 ano
Desde a implantação, 15 pacientes fizeram reconstrução
Há um ano o Programa Ame-se vem realizando sonhos e ajudando a recuperar a autoestima e bem-estar das mulheres alagoanas que passaram pelo câncer de mama e tiveram o seio ou uma parte dele removidos. Desde sua implantação, no dia 23 de outubro de 2020, o Ame-se já fez a reconstrução mamária completa de 15 pacientes e tem o objetivo de zerar a fila de espera pela cirurgia em todo o estado.
A primeira operação feita pelo programa foi a da paciente Maria Fernanda, de 40 anos, que aconteceu em 25 de janeiro de 2021. Ela relatou que o processo das consultas até a cirurgia foi muito tranquilo e superou suas expectativas. “Amei o resultado, não tenho nem palavras para agradecer todos os envolvidos diretamente e indiretamente nesse programa, que devolveu não só a minha autoestima, e sim de várias mulheres”, disse Maria Fernanda.
No dia 22 de março deste ano, o Ame-se passou por uma pausa, devido ao aumento dos casos da Covid-19 em Alagoas. Em julho, entretanto, após a redução do número de casos do novo coronavírus, da curva de contágio e das internações hospitalares, o programa foi retomado.
Para a mastologista e coordenadora do Ame-se, Francisca Beltrão, o programa proporciona para as mulheres mastectomizadas [que tiveram a retirada total ou parcial da mama], além da autoestima, a devolução da própria sexualidade. “O depoimento delas é importante e mostra que melhorou muito a vida conjugal, além da socialização, onde agora elas colocam um biquíni, um decote, coisas que parecem corriqueiras, mas, para elas, eram um tabu. O programa já causou uma revolução, pois só eram feitas quatro ou cinco cirurgias desse tipo por ano e, agora, em um ano de programa, já fizemos 15. É muito gratificante ver a alegria dessas mulheres”, afirma.
Ainda segundo a médica, infelizmente, muitas mulheres que foram mastectomizadas não procuram a cirurgia para reconstruir a mama por medo. Isso porque elas já passaram por um processo lento e doloroso quando foram diagnosticadas com o câncer de mama e não querem mais passar por outras cirurgias.
O Programa Ame-se atende mulheres que estão na fila de espera para terem o seio reconstruído e já concluíram o tratamento do câncer. Para ser incluída no programa, basta a paciente procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e pedir para ser encaminhada por meio do Sistema de Regulação (SISREG) do Estado. As cirurgias são realizadas no Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA), localizado no bairro Cidade Universitária, em Maceió.
“Além dos SISREG, nós também fizemos buscas ativas pelas pacientes no começo do programa. Temos várias ONGs [Organizações Não Governamentais] de apoio às mulheres com câncer de mama que foram parceiras. Também entramos em contato com os Centros de Tratamentos de Câncer de Alagoas para informar sobre o programa e ofertar para quem tiver interesse”, enfatiza Francisca Beltrão.
Para o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, o programa é de fundamental importância para as mulheres alagoanas que sofreram com o câncer de mama e, hoje, estão curadas. “O programa Ame-se chegou para ficar. Ele virou uma política pública em Alagoas. Sem dúvida nenhuma, é o primeiro Estado do Brasil que tem adotado essa sistemática de operar as mulheres a partir da reconstrução mamária, mulheres mastectomizadas, para que elas tenham o direito de serem cuidadas, tratadas e, caso necessitem e queiram, de reconstruir suas mamas e resgatar a autoestima e o seu sentido de viver. Isso eu vou levar comigo no coração, nessa minha passagem aqui na Saúde”, disse Ayres.
Como funciona – As pacientes atendidas pelo Programa Ame-se passam por consulta com um mastologista, têm o acompanhamento de um nutricionista e também de um psicólogo. Após isso, elas passam pela avaliação dos cirurgiões plásticos, que avaliam o tipo de cirurgia mais adequada para cada paciente.
O objetivo da cirurgia de reconstrução é remodelar ou reconstruir as mamas após a mastectomia, que remove toda a mama, incluindo mamilo e aréola.
O procedimento também é realizado após a lumpectomia, que remove apenas o pedaço onde está localizado o tumor.
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