Governo pagou quase R$ 1,5 trilhão em auxílios sociais desde a pandemia
De 2020 para cá, gasto do governo com programas de renda mínima e BPC triplicou, segundo levantamento
O governo federal pagou R$ 1,438 trilhão em auxílios sociais desde a pandemia de Covid-19, mostra levantamento da CNN Brasil com base em dados do Ministério do Desenvolvimento Social. O número considera a soma dos repasses de Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil, Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada).
-Auxílio Emergencial: R$ 372 bilhões
-Auxílio Brasil: R$ 126,7 bilhões
-Bolsa Família: R$ 468,9 bilhões
-BPC: R$ 456,3 bilhões
Total: R$ 1,438 trilhão
O maior salto nos gastos acontece entre 2019 e 2020: de um ano para o outro, o valor aumenta em quatro vezes, de R$ 86,6 bilhões para R$ 365,5 bilhões. O principal motivo é a criação do Auxílio Emergencial, pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), para atender pessoas impactadas pelas restrições da crise sanitária.
Em 2021, o valor de repasses é reduzido, mas permanece duas vezes maior que aquele registrado em 2019: R$ 159,1 bilhões. No ano seguinte, a cifra volta a subir, quando o Ministério da Fazenda, comandado por Paulo Guedes, estabelece o Auxílio Brasil e eleva o benefício para R$ 600.
Ambos os candidatos à Presidência no segundo turno das eleições de 2022 prometem manter o valor do benefício. O vencedor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cumpre a promessa e viabiliza o gasto por meio da PEC da Transição. Como resultado, a despesa com auxílios volta a explodir em 2023.
O maior salto nos gastos acontece entre 2019 e 2020: de um ano para o outro, o valor aumenta em quatro vezes, de R$ 86,6 bilhões para R$ 365,5 bilhões • CNN Brasil
“A estratégia de ação emergencial durante o momento mais agudo da pandemia trouxe a expansão do valor da transferência. E várias métricas de controle de benefícios foram flexibilizadas. Depois da pandemia, com a corrida eleitoral, benefícios estabelecidos foram preservados”, disse Murilo Viana, especialista em contas públicas.
Dano à economia e soluções
Segundo especialistas, o avanço destes auxílios infla o orçamento do Brasil e, como a maior parte desta despesa é obrigatória, ajuda a engessá-lo. Cerca de 96% do Orçamento hoje é composto por gastos que o governo não controla. Isso tira espaço de investimentos, por exemplo, e trava o crescimento do país.
“Nós estamos passando por uma crise fiscal que se arrasta há anos. O governo tem déficit primário e endividamento crescente, o que onera a economia brasileira, afasta investimentos. Há dificuldade do governo de encontrar uma solução de médio e longo prazo para as finanças públicas no Brasil”, disse Viana.
Para o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros, a responsabilidade social do governo, em não desamparar quem depende dos benefícios atualmente, não é incompatível com a responsabilidade fiscal. O especialista aponta o combate às fraudes como um primeiro passo para o governo.
“Vale a pena lembrar que há muita fraude em benefícios sociais e previdenciários. Essas fraudes existem porque o governo ainda é muito analógico. Dá para economizar sem retirar direito social, se o governo for mais leve, informatizado. E essa agenda o governo consegue tocar praticamente sozinho, não depende do Congresso”, aponta.
O BPC e as fraudes
Nas contas de Gabriel Barros, há no mínimo R$ 20 bilhões em gastos orçamentários que o governo pode cortar com o combate às fraudes. Quando o assunto é concessões de benefícios indevidos, o auxílio que mais preocupa é o BPC. Nos últimos cinco anos, o gasto para bancá-lo dobrou.
2018: R$ 52.583.300.326,72
2019: R$ 55.525.470.397,81
2020: R$ 58.424.833.664,03
2021: R$ 61.912.909.944,70
2022: R$ 70.935.787.252,14
2023: R$ 85.112.213.507,27
2024: R$ 102.269.367.070,43
2025: R$ 87.371.446.266,72
“O BPC tem mais fraude, relativamente, do que em outros programas. Os dados mostram que o BPC está fora de controle. E o governo não consegue lidar com isso. Uma parte desta fraude é por conta de um critério muito frouxo para classificar problemas de saúde”, completa.
Últimas notícias
Irmãos sofrem ataque a tiros e saem ilesos na cidade de Limoeiro de Anadia
Operação busca suspeitos de matar jovem jogador de 15 anos em Maceió
Cabo Bebeto questiona números apresentados sobre educação em Alagoas
Após sete meses, Kel Ferreti tem prisão revogada e responderá em liberdade
Renan reafirma apoio à Lula e diz que juntos podem fazer muito mais por AL
Homem morre após se engasgar com cuscuz durante almoço em Arapiraca
Vídeos e noticias mais lidas
MP sugere caminhões frigoríficos para armazenar corpos de vítimas da Covid-19
Comandante da PM emociona em homenagem a coronel que morreu após mal súbito
Cliente denuncia demora na entrega de carro após pagar quase R$ 110 mil
Abastecimento do Tabuleiro é paralisado para conserto de rompimento em adutora
