Execução de iraniano detido em protestos é adiada, diz ONG
Erfan Soltani, de 26 anos, foi condenado a pena de morte após ser detido nos recentes protestos que tomaram conta do Irã
A execução da pena de Erfan Soltani, condenado a morte após ser detido em meio aos protestos no Irã, foi adiada. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14/1) pela Organização Hengaw para os Direitos Humanos.
De acordo com a ONG, cujo trabalho é focado em denúncias de violações dos direitos humanos no Curdistão e Irã, o adiamento foi confirmado por familiares do jovem de 26 anos.
“Segundo informações obtidas pela Organização Hengaw para os direitos Humanos através de familiares de Erfan Soltani, a ordem de execução que havia sido comunicada à sua família e que estava prevista para quarta-feira não foi cumprida e foi adiada”, disse um comunicado.
De acordo com a Hengaw, Soltani foi preso no último dia 8 de janeiro em casa, na cidade de Fardis. Em um julgamento em tempo recorde e obscuro, ele foi condenado a pena de morte, prevista nas leis do país persa, por participação nos protestos no Irã. A sentença, caso confirmada, pode se tornar a primeira execução relacionadas aos atos contrários ao governo do aiatolá Ali Khamenei.
Até o momento não está claro quando, ou se, a execução do jovem manifestante será cumprida. O governo do Irã também não se pronunciou sobre a condenação de Soltani ou a sentença imposta contra o iraniano.
O possível adiamento da execução do jovem iraniano surge horas após declarações de Trump sobre o Irã. Nesta tarde, o presidente dos Estados Unidos disse ter recebido informações de que os assassinatos no país “estão parando”, e que não haviam mais “planos para execuções”.
Dias antes, contudo, o líder norte-americano sinalizou que poderia interferir no Irã caso manifestantes fossem mortos. Segundo Trump, os EUA consideram “opções muito fortes” para “proteger” civis iranianos do atual governo.
O Irã, por sua vez, acusa dos EUA de estar por trás das manifestações que já duram 17 dias — e se mostrou pronto para retaliar qualquer ação dos EUA contra o país.
Com o aumento das manifestações, organizações ligadas aos direitos humanos no Irã passaram a relatar casos de repressão contra os atos. Ao todo, a ONG Ativistas de Direitos Humanos no irã (HRA) afirma ter recebido a informação de que mais de 2,4 mil pessoas morreram durante os protestos. A maioria deles seriam civis, e outras 147 vítimas fatais atuavam como forças de segurança ou apoiadores do atual governo.
Além disso, a HRA estima que 18.434 pessoas foram presas durante os protestos, já registrados em 187 cidades iranianas. Os números relativos as mortes e detenções durante os atos ainda não foi divulgado por Teerã.
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