[Vídeo] PF mira fraudes milionárias com mortes suspeitas de moradores de rua em AL
Grupo teria criado empresas de fachada, usado “laranjas” e contratado seguros de vida em nome de pessoas vulneráveis
Uma operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (25) colocou na mira empresários alagoanos e até um gerente da Caixa Econômica Federal, suspeitos de integrar um esquema milionário de fraudes bancárias no estado.
Batizada de Operação Contrato Final, a ação foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Alagoas (FICCO/AL), com apoio do Grupo de Pronta Intervenção e do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar de Alagoas (Bope). Ao todo, foram cumpridos 32 mandados judiciais, entre buscas e apreensões, prisões preventivas, sequestro de bens, afastamento de função pública e quebra de sigilos telemáticos.
As diligências ocorreram em Maceió, Coruripe e São Luís do Quitunde. Durante a operação, os agentes apreenderam armas de fogo, veículos de luxo, balança de precisão e diversos equipamentos eletrônicos.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo montava empresas de fachada e recrutava “laranjas” para obter empréstimos de alto valor junto à Caixa. Para isso, utilizava documentação falsa e registros de empresas inexistentes.
Após a liberação do crédito, o dinheiro era rapidamente pulverizado em contas pessoais dos líderes ou transferido para empresas ligadas ao grupo, dificultando o rastreamento.
A apuração também revelou um braço ainda mais grave do esquema: a contratação de seguros de vida em nome de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em alguns casos, essas pessoas morreram pouco tempo depois da formalização dos contratos, e os beneficiários das apólices seriam justamente integrantes da organização.
Há indícios de mortes por afogamento envolvendo moradores de rua, circunstâncias que agora serão encaminhadas ao órgão policial responsável para investigação específica.
Crimes e penas
Os investigados devem responder por lavagem de dinheiro, estelionato qualificado, falsidade ideológica, organização criminosa e obtenção de financiamento mediante fraude em instituição financeira. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
A investigação aponta que as fraudes atingiram diretamente recursos de uma instituição financeira federal, o que amplia a gravidade do caso e o impacto sobre o sistema bancário e políticas de crédito.
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