Leonardo Dias cobra agilidade no diagnóstico de câncer e aponta falhas estruturais na rede pública
Reinvidicação foi feita justamente no Dia Mundial de Combate ao Câncer e teve como foco a dificuldade de acesso a exames e a lentidão na regulação de pacientes
Durante a Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Maceió (CMM), nessa quarta-feira (8), o vereador Leonardo Dias (PL) voltou a responsabilizar o Município e o Estado pela demora no atendimento a pacientes com câncer em Alagoas. A cobrança foi feita justamente no Dia Mundial de Combate ao Câncer e teve como foco a dificuldade de acesso a exames e a lentidão na regulação de pacientes.
Leonardo afirmou que a realidade nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) expõe um cenário preocupante. “Sou muito ativo nas UPAs. Invariavelmente, encontro pessoas esperando dezenas de dias. Se for câncer, pode ter certeza de que são mais de 30 dias até conseguir uma transferência”, afirmou.
Dias destacou que, atualmente, apenas duas unidades são referência para tratamento oncológico no estado: a Santa Casa, que atende a parte baixa da capital, e o Hospital Universitário, responsável pela parte alta. Ele chamou atenção para o fato de que muitos pacientes recebem o diagnóstico inicial ainda nas UPAs, mas enfrentam obstáculos para dar continuidade ao tratamento.
Entre os principais gargalos apontados está a dificuldade de acesso à ressonância magnética. “Hoje, ou o paciente entra na Justiça ou paga particular. Eu, pessoalmente, não conheço ninguém que tenha conseguido esse exame pelo SUS de forma regular”, disse.
O vereador ainda criticou a ausência do equipamento em hospitais considerados de referência. “O Hospital Metropolitano, que tem um Cacon, não possui ressonância. Precisa recorrer ao Hospital do Coração para realizar o exame”, completou.
A situação se agrava no interior do estado. Os hospitais regionais não contam com ressonância magnética, o que obriga a transferência de pacientes para Maceió apenas para a realização do exame. “Um paciente que entra no Hospital do Norte, em Porto Calvo, precisa ser transferido para Maceió, fazer a ressonância e depois voltar. Esse é o padrão”, criticou.
Leonardo também apontou dificuldades no acesso a exames essenciais para o diagnóstico de câncer colorretal, como endoscopia e colonoscopia. “São exames raríssimos pelo sistema. Não se consegue marcar normalmente pelo Pronto. O que vemos é um sucateamento geral”, afirmou.
Para o vereador, a responsabilidade pela situação é compartilhada entre Município e Estado. Ele ressaltou que o diagnóstico de câncer exige exames de alta complexidade e estrutura adequada, o que, segundo ele, não vem sendo priorizado. “Não é um exame simples que vai fechar diagnóstico. É preciso equipamento, investimento e planejamento. Infelizmente, os hospitais regionais não foram estruturados com isso”, disse.
Ao final, o parlamentar cobrou avanços tanto na regulação municipal quanto estadual, especialmente no programa Pronto e na estrutura dos hospitais regionais. “É preciso chamar atenção para isso e fazer avançar. Do jeito que está, quem depende do sistema público continua esperando e, em casos de câncer, esperar pode custar muito caro”, concluiu.
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