Caso Davi: PM que dirigia viatura diz não saber por que está sendo julgado
Júri acontece no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes e deve continuar até a terça-feira (5)
Durante interrogatório no júri popular que apura o desaparecimento do adolescente Davi da Silva, o ex-policial militar Victor Rafael Martins da Silva negou envolvimento no caso, mas acabou confrontado pela acusação, que apontou contradições e levantou questionamentos sobre a versão apresentada em plenário nesta segunda-feira (4).
Ao ser interrogado, Victor afirmou que estava de serviço no dia 25 de agosto de 2014 e que entrou em escala às 6h, tendo sido designado para atuar na área do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), onde exercia a função de motorista da guarnição.
Segundo ele, por volta das 7h30 a equipe estava abastecendo uma viatura no bairro Jacintinho. Questionado pelo juiz sobre o horário em que chegaram à área onde teriam atuado, o réu disse não saber precisar, alegando que a região era extensa. Ainda assim, afirmou que a guarnição chegou ao Benedito Bentes “por volta das 9h ou um pouco depois”.
Victor relatou que a equipe utilizava uma Palio Weekend com identificação de um cão no vidro traseiro e que usava fardamento rajado em tonalidade escura. Ele também afirmou que tanto ele quanto a ex-policial Nayara Silva tinham apenas dois meses de corporação à época.
Durante o depoimento, o réu declarou não entender por que está sendo julgado. “Passamos sete meses em curso de aperfeiçoamento. Para ir à Rádio Patrulha fizemos mais uma capacitação e aprendemos todas as técnicas de abordagem”, disse.
A promotora Lídia Malta confrontou o acusado sobre a rotina da guarnição naquele dia, especialmente após Victor afirmar que a equipe parou para pegar almoço antes de uma suposta operação. Ao ser questionado sobre onde a comida foi comprada, ele disse não se recordar, o que gerou reação da acusação. "Mas, o senhor era o motorista e não sabe onde pararam para comprar comida?", questionou.
Em outro momento, o promotor contestou a alegação de que a guarnição teria sido acionada para uma ocorrência. Segundo ele, dados da ERB do celular utilizado pelo comandante da equipe apontam apenas duas ligações no aparelho naquele dia: uma às 6h e outra às 11h, o que, segundo a acusação, contradiria a versão apresentada pelo réu.
Victor também confirmou ter cruzado com viaturas da Força Nacional na região do 5º BPM, mas afirmou não ter conhecimento de que essas equipes utilizavam viaturas da Rádio Patrulha.
Júri popular
O julgamento, iniciado nesta segunda-feira (4), deve seguir até terça-feira (5). Familiares de Davi acompanham a sessão e cobram respostas sobre o paradeiro do adolescente, desaparecido há quase 12 anos.
Davi tinha 17 anos quando desapareceu, em 25 de agosto de 2014, após ser abordado por uma equipe do Batalhão de Rádio Patrulha no conjunto Cidade Sorriso I. Desde então, o corpo do jovem nunca foi localizado.
Quatro ex-integrantes da Polícia Militar respondem ao processo: Nayara Silva de Andrade, Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos. Eles são acusados de tortura, sequestro, cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
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