PF vê nova delação de Vorcaro como "mais completa"
Segundo apuração de Elijonas Maia, no CNN Novo Dia, nova proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro à PF e à PGR inclui mais nomes, datas e informações do que a versão anterior
A defesa de Daniel Vorcaro apresentou à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma nova versão da proposta de delação premiada. Segundo apurou o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao CNN Novo Dia, a PF avalia essa nova proposta como "mais completa" do que a anterior, que havia sido formalmente rejeitada cerca de duas semanas antes.
Delegados integrantes da equipe de investigação do caso consultados por Elijonas Maia indicaram que o novo documento apresentado pelo advogado Sérgio Leonardo, da defesa de Daniel Vorcaro, contém mais nomes, mais informações, mais datas e anexos complementares em relação à proposta anterior.
A versão rejeitada havia sido criticada pela PF sob a alegação de que Vorcaro havia omitido nomes e protegido determinadas pessoas — informações que a própria corporação já havia levantado a partir da análise e perícia de um dos oito celulares apreendidos do investigado.
A nova proposta foi apresentada nesta semana e contou ainda com um adendo elaborado pela defesa, com novas informações adicionadas ao documento. De acordo com integrantes da PF ouvidos pelo analista, a corporação vê a proposta "com bons olhos" e entende que há muito a avançar no inquérito. O conteúdo inclui, entre outros elementos, referências a políticos.
Próximos passos do processo
A partir de agora, tanto a PF quanto a PGR passam a analisar o conteúdo da proposta para verificar se há elementos novos suficientes para aprovar ou rejeitar mais uma vez a delação premiada.
Elijonas Maia ressaltou que se trata ainda de uma proposta, e que, caso a PF reconheça a existência de novas informações e elementos, será iniciada uma nova fase, com depoimentos e checagem dos fatos apresentados por Daniel Vorcaro.
Todo o processo deverá ser posteriormente levado ao STF (Supremo Tribunal Federal), onde o ministro André Mendonça atua como relator do caso, para que seja decidida a homologação ou não da delação premiada.
Segundo Elijonas Maia, trata-se de um longo processo, mas a nova proposta representa um fato relevante na investigação do que a PF aponta como um megaesquema de fraudes de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões envolvendo o Banco Master.
Condições de detenção de Vorcaro
Daniel Vorcaro permanece preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília, em uma sala especial adaptada como cela, equipada com ar-condicionado, cama, banheiro privativo, armário, frigobar e janela com vista para o jardim da instituição.
Essa estrutura foi determinada por André Mendonça após um pedido da defesa, que alegou que Vorcaro necessitava de um espaço adequado para ter acesso ao seu advogado e, assim, reunir informações para elaborar uma nova proposta de delação à Polícia Federal.
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