Nordeste abriga mais shows públicos; veja posição de Alagoas
Grandes festivais como Verão Massayó e o São João Massayó ajudam a explicar o volume de contratações registrado no levantamento
A quantidade de shows públicos, ou seja, aqueles pagos com recursos de prefeituras e governos estaduais, é maior no Nordeste do que em qualquer outra região do país. É o que mostra o relatório Farras, divulgado no último dia 1º de julho pelo observatório De Olho nos Ruralistas. Segundo o levantamento, a região concentrou 78% das apresentações realizadas entre janeiro de 2024 e o primeiro trimestre de 2026, movimentando R$ 2,22 bilhões em contratos com os 40 artistas mais contratados pelo poder público. Alagoas também aparece entre os destaques do estudo, com municípios presentes nos principais rankings nacionais.
Entre os estados nordestinos, a Bahia lidera o volume financeiro, com R$ 578 milhões em contratos, seguida por Pernambuco, com R$ 573 milhões, e Ceará, com R$ 316 milhões.
Em Alagoas, o estudo destaca a presença de municípios entre os que mais trouxeram artistas entre o grupo analisado. Maceió aparece na terceira posição do ranking nacional, com R$ 28,11 milhões em contratos entre janeiro de 2024 e o primeiro trimestre de 2026.
É importante destacar que a capital alagoana realiza dois dos maiores eventos do calendário turístico do estado, o Verão Massayó e o São João Massayó. Os festivais reúnem dezenas de atrações nacionais e locais, movimentam o turismo e a economia e ajudam a explicar o volume de contratações registrado no levantamento. O São João Massayó, por exemplo, é considerado um dos maiores festivais juninos realizados no litoral brasileiro.

Estados que mais contrataram
Entre os estados nordestinos, três concentram metade de todo o valor movimentado pelos 40 artistas analisados:
* Bahia: R$ 578 milhões;
* Pernambuco: R$ 573 milhões;
* Ceará: R$ 316 milhões.
Como demonstrado acima, os maiores volumes de investimentos identificados pelo estudo estão concentrados em Bahia, Pernambuco e Ceará. Em Alagoas, o destaque fica por conta de municípios como Maceió, Olivença, Água Branca e Belém, que aparecem em diferentes indicadores do levantamento.
Como Alagoas aparece?
Embora não figure entre os estados com maior volume de recursos destinados às contratações de shows públicos, Alagoas aparece em diferentes indicadores do levantamento. No ranking de municípios, Maceió ocupa a terceira colocação nacional em volume de contratos com o grupo dos 40 artistas mais contratados do país, enquanto Olivença, Água Branca e Belém também se destacam em critérios como impacto orçamentário e gasto per capita.
Municípios que mais contrataram
1. Aracaju (SE): R$ 39,27 milhões;
2. Salvador (BA): R$ 34,16 milhões;
3. Maceió (AL): R$ 28,11 milhões;
4. Goiana (PE): R$ 25,58 milhões;
5. Petrolina (PE): R$ 25,09 milhões;
6. São Luís (MA): R$ 24,79 milhões;
7. Caruaru (PE): R$ 20,58 milhões;
8. Mossoró (RN): R$ 19,70 milhões.

Ritmos que movimentam o Nordeste
Ao contrário do Centro-Sul, onde o sertanejo lidera as contratações, o levantamento mostra que, no Nordeste, os gêneros locais concentram a maior parte dos investimentos. O piseiro aparece na primeira posição, com R$ 913,04 milhões em contratos no período analisado. Em seguida vêm o brega e o arrocha, que somam R$ 588,92 milhões, o forró romântico e eletrônico, com R$ 425,48 milhões, e o axé e o pagodão, que juntos movimentaram R$ 161,21 milhões.
Os artistas que mais faturaram
Entre os nomes que mais receberam recursos públicos no período analisado estão:
* Natanzinho Lima: R$ 158 milhões em 336 shows;
* Henry Freitas;
* Wesley Safadão;
* Xand Avião;
* João Gomes;
* Tarcísio do Acordeon;
* Pablo;
* Iguinho & Lulinha;
* Rey Vaqueiro.

Em Alagoas, o relatório cita apresentações de artistas como Wesley Safadão, Xand Avião, Pablo, Henry Freitas, Belo, Rey Vaqueiro e Gusttavo Lima em eventos realizados por municípios. Entre os exemplos mencionados está a Festa da Natureza, em Murici, realizada em 2025, e o São João Massayó, em Maceió.
Como foi feito o levantamento
O estudo foi elaborado pelo observatório De Olho nos Ruralistas a partir do cruzamento de contratos publicados no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e em portais da transparência de estados e municípios. A pesquisa analisou contratações realizadas entre janeiro de 2024 e março de 2026.
Os autores afirmam que parte dos contratos não estava disponível no PNCP e precisou ser obtida diretamente nos portais públicos. O relatório reúne informações sobre cachês, artistas, produtoras e municípios que mais contrataram shows no período.
Sobre o observatório – O De Olho nos Ruralistas é um observatório de jornalismo investigativo criado em 2016 e voltado à cobertura de temas relacionados ao agronegócio, uso da terra, meio ambiente e direitos humanos. O relatório Farras foi elaborado a partir do cruzamento de dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e de portais da transparência de estados e municípios, reunindo informações sobre contratações de shows realizadas entre janeiro de 2024 e março de 2026.
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