Justiça

‘Ela vai terminar atirando em você’, diz colega de sargento morto por companheira

Subtenente afirmou que chegou a aconselhar militar a encerrar relacionamento por causa do comportamento da companheira

Por Wanessa Santos 06/08/2026 13h01 - Atualizado em 06/08/2026 13h01
‘Ela vai terminar atirando em você’, diz colega de sargento morto por companheira
Josefa Cícera confessou ter efetuado o disparo e alegou legítima defesa - Foto: Reprodução / Assessoria MPAL

O julgamento de Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de matar o companheiro, o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, teve início na manhã desta quinta-feira (6), no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, em Maceió. Durante a fase de oitivas, um colega de farda da vítima afirmou que o militar vivia um relacionamento marcado por episódios frequentes de ciúmes da acusada e revelou que chegou a aconselhá-lo a deixar a companheira.

Até o início da tarde, já haviam sido ouvidos três filhos do sargento, uma sobrinha, a ex-esposa da vítima e, após o intervalo, o subtenente Celestino, que trabalhava na mesma unidade de Alessandro Fábio.

Familiares e amigos da vítima acompanham o julgamento / Foto: Assessoria MPAL

Em depoimento ao Conselho de Sentença, o subtenente descreveu o sargento como um homem tranquilo e comunicativo e afirmou que ele costumava comentar sobre o comportamento da companheira. "Ele era um cara bem tranquilo e comunicativo. Ele sempre conversava com a gente que ela tinha muito ciúme dele, porque não aceitava que ele ajudasse os filhos, que não eram dela", declarou.

A testemunha também relatou um episódio em que, segundo ele, Josefa invadiu o batalhão para procurar o companheiro. "Uma vez ela invadiu o batalhão e foi bater no alojamento. Ele estava trocando de roupa e tivemos que retirá-la. Ela disse que tinha entrado para olhar se tinha alguma mulher lá", afirmou.

Ainda durante o depoimento, o militar contou que aconselhava o colega a encerrar o relacionamento por causa de episódios anteriores envolvendo arma de fogo. "Eu aconselhava a ele a deixá-la, porque ela já havia atirado no pneu do carro e na lataria. Então eu dizia: 'Fábio, deixa essa mulher, ela vai terminar atirando em você'. E ele dizia que achava que ela não tinha coragem", relatou.

Questionado pela defesa, o subtenente informou que foi comunicado sobre o ocorrido no dia do crime, mas que, naquele primeiro momento, ainda não havia recebido a informação de que o sargento havia morrido.

O caso


Alessandro Fábio da Silva foi morto com um disparo de arma de fogo em 23 de março de 2022, na residência do casal, no bairro Cidade Universitária, em Maceió. Ele chegou a ser socorrido para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos.

Josefa Cícera confessou ter efetuado o disparo e alegou legítima defesa. O Ministério Público de Alagoas, no entanto, denunciou a acusada por homicídio qualificado por motivo fútil. O julgamento segue ao longo desta quinta-feira (6).