Justiça

Serial killer de Maceió ofereceu R$ 250 por sexo e perseguiu Mikaele após recusa

MP afirma que réu não mantinha relacionamento com a vítima e teria passado a investigá-la após ela recusar oferta de R$ 250

Por Giulianna Albuquerque 07/10/2026 15h03 - Atualizado em 07/10/2026 15h03
Serial killer de Maceió ofereceu R$ 250 por sexo e perseguiu Mikaele após recusa
Albino Santos de Lima, o serial killer de Maceió, vai a júri popular pela nona vez - Foto: Assessoria/ MPAL

Durante o julgamento de Albino Santos de Lima, o “serial killer de Maceió”, nesta quarta-feira (7), a promotora de Justiça Adilza de Freitas apresentou uma versão diferente sobre a relação entre o réu e Mikaele Leite da Silva. Segundo a acusação, os dois nunca mantiveram um relacionamento e a aproximação teria ocorrido inicialmente por meio de uma live, por meio das redes sociais.

De acordo com a promotora, Albino teria utilizado o perfil @guerracomanf, que possuía uma imagem de Arcanjo Miguel, para fazer uma proposta de R$ 250 à jovem em troca de uma relação sexual. Mikaele recusou a oferta. A promotora afirmou aos jurados que, após a rejeição, Albino ficou indignado e teria começado a buscar informações sobre a vítima e a persegui-la, até chegar ao momento em que ela foi assassinada.

A narrativa apresentada pela acusação contraria a hipótese de que o crime teria sido motivado pelo fim de um relacionamento. Para a promotoria, como não havia uma relação afetiva entre os dois, também não existiria uma separação ou tentativa de reconciliação que pudesse explicar a motivação do assassinato.

Por sua vez, a defesa de Albino apresentou uma versão diferente durante o júri. O advogado Geoberto Luna negou que Albino tenha oferecido R$ 250 a Mikaele e afirmou que o réu sequer teria mantido contato com a jovem. Em outro momento da manifestação, o advogado tentou abordar aspectos relacionados à vítima, mas foi interrompido pela promotora, que criticou a tentativa de utilizar a imagem de Mikaele para favorecer a defesa.

Na sequência, Geoberto concentrou a argumentação na condição mental de Albino. Ele retomou a tese de que o réu teria sido influenciado por uma figura chamada “Arcanjo Miguel”. Segundo o advogado, Albino teria relatado ter sido “possuído” por essa figura. Durante a sustentação, Geoberto também classificou o réu como “doido” e “absolutamente incapaz”.

A promotora contestou a tese e lembrou que Albino foi considerado imputável em avaliação psiquiátrica. Segundo ela, o exame concluiu que ele tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos praticados e de se determinar de acordo com esse entendimento.