Justiça

STF autoriza investigação contra ministro do STJ Marco Buzzi

O magistrado está afastado desde fevereiro do cargo

Por 7Segundos com G1 24/07/2026 09h09
STF autoriza investigação contra ministro do STJ Marco Buzzi
Ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça - Foto: José Alberto/STJ

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal investigue o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no inquérito que apura suspeitas de venda de sentenças.

Buzzi está afastado da Corte desde fevereiro deste ano, após acusações de importunação e assédio sexual apresentadas por duas mulheres (entenda mais abaixo). Ele vai ser julgado neste caso em 6 de agosto.

Em nota à TV Globo, a defesa dele negou qualquer irregularidade. "O ministro Buzzi não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares, ao contrário, é impedido de exercer função de juiz em casos que familiares atuem. Não tem conhecimento de andamentos do caso em tela, tampouco figura como investigado".

Julgamento por crimes sexuais

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, agendou para o dia 6 de agosto, a partir das 9h, o julgamento do ministro afastado da Corte Marco Buzzi, acusado de crimes sexuais.

Buzzi é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura acusações de importunação e assédio sexual apresentadas por duas mulheres:

> uma jovem de 18 anos, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante férias com a família na casa do ministro em Balneário Camboriú (SC); e
> uma ex-funcionária de gabinete que denunciou episódios reiterados de assédio sexual e importunação cometidos enquanto trabalhava na equipe do magistrado no STJ.

Desde o início das apurações, a defesa do ministro Marco Buzzi nega veementemente que o magistrado tenha cometido qualquer ato ilícito.

Em notas enviadas à imprensa, seus advogados afirmam que as alegações "carecem de provas concretas" e não refletem a conduta do magistrado. Também afirmam que Buzzi possui mais de quatro décadas de trajetória pública e judicial "sem qualquer mácula prévia".

O julgamento ocorrerá sob sigilo para preservar a intimidade das partes e resguardar os elementos de prova reunidos ao longo do processo disciplinar.

O ministro Marco Buzzi foi afastado cautelarmente do cargo e das dependências do STJ em fevereiro de 2026, logo após as denúncias virem à tona. Na fase final do PAD, os ministros da Corte Especial do STJ decidirão se aplicam sanção disciplinar ao magistrado.

Entre as penalidades administrativas cabíveis no âmbito do tribunal estão a aposentadoria compulsória e a perda do cargo. A Procuradoria-Geral da República defendeu a aplicação da aposentadoria compulsória.

Paralelamente à apuração no STJ, o caso também é investigado na esfera criminal em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, devido ao foro por prerrogativa de função.

Venda de sentenças

Além de Buzzi, o STF autorizou a abertura de investigação contra outro ministro do STJ, Paulo Dias de Moura Ribeiro, após a Polícia Federal solicitar o aprofundamento das investigações sobre venda de sentenças. A informação foi divulgada pelo jornal "Estado de S. Paulo" e confirmada pela TV Globo.

No caso do ministro Moura Ribeiro, Zanin atendeu a um pedido da Polícia Federal, com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O magistrado, por meio da assessoria do STJ, afirma que “desconhece a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido"(veja na íntegra mais abaixo).

A PF apontou ao Supremo suspeitas envolvendo decisões de Moura Ribeiro, como possível favorecimento de pessoas específicas, e quer levantar dados bancários de empresas e também de familiares do ministro e de servidores para aprofundar a apuração.

“Vale esclarecer que não se está descartando a possibilidade de o esquema criminoso envolver servidores ou ate o próprio Ministro. O ponto é que, neste estágio inicial da investigação, ainda não há elementos suficientes para concluir se houve ou não participação dessas pessoas nos fatos apurados”, afirmou a PF no relatório, enviado ao STF.

De acordo com investigadores, “somente com novas diligências e o avanço das investigações será possível alcançar a clareza necessária para esse tipo de conclusão".

"Nesse sentido, destacam-se as medidas voltadas à análise do fluxo financeiro, com o objetivo de identificar o caminho do dinheiro, compreender como ocorreu o pagamento de eventual vantagem indevida e verificar possíveis atos de lavagem de capitais”, prossegue a PF.

Na decisão de maio, Zanin afirmou que a abertura da investigação “possibilitará um juízo adicional e mais abrangente sobre supostas atividades criminosas envolvendo servidores, agentes privados ou mesmo autoridade com prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal”.

Para o ministro do STF, as diligências requeridas pelos investigadores vão permitir analisar, “com acurácia, a ocorrência de eventuais crimes e a própria necessidade das medidas já efetivadas para a busca de esclarecimentos idôneos relacionados às hipóteses investigativas”.

Zanin afirmou ainda que os novos elementos podem definir se a investigação continuará ou não no Supremo. Isso porque o caso está na Corte por causa do foro de Moura Ribeiro.