Meio ambiente

MPF quer preservação de nascentes no Passo de Camaragibe

Quilombolas buscam solução também para sitiantes que vivem da agricultura em terras próximas ao empreendimento industrial

Por 7Segundos, com Assessoria 06/03/2024 07h07
MPF quer preservação de nascentes no Passo de Camaragibe
MPF promoveu reunião para discutir o conflito - Foto: Assessoria

O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas realizou reunião extrajudicial com lideranças da comunidade quilombola Bom Despacho, localizada no município de Passo de Camaragibe, e representantes de indústria sucroalcooleira Santo Antônio para tratar sobre relatos de provocação e disputas de terras contra remanescentes quilombolas, e desmatamento de Área de Preservação Permanente (APP), especialmente em áreas de nascentes, alegadamente ocorridas na região.

A reunião foi coordenada pelos procuradores da República Lucas Horta, membro do núcleo de meio ambiente, e Eliabe Soares, titular do Ofício de Comunidades Tradicionais do MPF em Alagoas. O encontro teve o intuito de dar início ao diálogo visando à proteção de nascentes em área de preservação permanente situada em área de propriedade da usina e que é essencial para a comunidade remanescente de quilombolas na região.

Além disso, a proteção de sítios usados para agricultura de subsistência, assim como o livre trânsito para veículos que prestem assistência aos idosos, também foram tema de discussão, a fim de que sejam encontradas formas de preservação dos sitiantes que sobrevivem de modo tradicional da terra.

O procurador da República Lucas Horta relembrou que quando visitou a comunidade, em novembro de 2023, constatou que, de fato, havia cercamentos que impediam o livre acesso dos sitiantes e sinais de desmatamento em áreas ambientalmente protegidas.

Já Eliabe Soares destacou que o MPF possui mecanismos para impulsionar a demarcação da terra para os quilombolas, mas que esta é uma discussão que precisa ser amadurecida e tomada pela própria comunidade e que vê como uma solução razoável a regularização das cessões de uso pela usina, de modo a evitar que os sitiantes sejam incomodados no seu dia a dia.

Ao final, ficou definido que a indústria dará início a um levantamento topográfico de todos os sítios de agricultores, a partir de 4 de abril, tomando como base a documentação que será apresentada pelos próprios sitiantes. O estudo, cujo relatório final será apresentado no início de maio, será acompanhado por representantes da comunidade e de técnicos do MPF.

No encontro de maio, a comunidade deve se pronunciar sobre o levantamento realizado, e a usina deve apresentar uma minuta do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), para estabelecer as medidas de preservação ambiental. Até lá, funcionários da indústria se comprometem a não empreender nenhuma provocação contra membros da comunidade.