Bastidores
Barragem da Vale Verde pode representar riscos para bacia do São Francisco
Rejeitos que já vazaram durante o inverno deste ano preocupam população do agreste
Fechada para a imprensa local, a Mineradora Vale Verde continua sem dar respostas quanto aos perigos que sua atividade representa para o meio-ambiente e também para o desenvolvimento local das cidades de Craíbas e Arapiraca. O impacto da mineração também já pode ser sentido na agricultura familiar.
Como efeito colateral da atividade que explora o meio-ambiente, a mineração exige a criação de barragens de rejeito, como a que foi construída pela Vale Verde em Craíbas. Neste caso, conforme informações obtidas pelo Portal 7 Segundos, as barragens da empresa tem acesso às calhas de vários rios temporários e perenes que banham todo o agreste alagoano.
Esses rios são importantes, pois no período chuvoso recebem águas e desaguam em bacias importantes como a do São Francisco, que por sua vez banha o agreste e quase todo o sertão alagoano, além de municípios ribeirinhos de Alagoas e Sergipe. Como o próprio nome diz, rejeitos são os elementos químicos usados na obtenção dos minérios, e que ao final são depositados nessas barragens.
O perigo está situado no vazamento desses rejeitos pelos rios temporários, que os levam à bacia do São Francisco, impactando não só a atividade econômica ao redor dos rios, mas o meio-ambiente da bacia, podendo causar danos permanentes.
Durante o inverno deste ano, que foi bastante rigoroso, a própria mineradora Vale Verde chegou a declarar que a barragem estava vertendo rejeitos nos rios temporários - logo depois, minimizou o problema afirmando que não havia risco de rompimento, mas não deu nenhuma informação sobre o tipo e a quantidade de rejeitos que vazou, nem o impacto ambiental causado.
Beneficiada diretamente pela duvidosa atuação da Vale Verde, a prefeitura de Craíbas silencia quando o assunto são os riscos ambientais causados pela barragem de rejeitos da mineradora. O município é um dos campeões de arrecadação em Alagoas, faturando milhões de reais todos os meses graças ao ISSQN gerado pela multinacional, além dos benefícios da Lei Kandir e dos royalties pela exploração de cobre.
Apesar do volumoso aporte de recursos financeiros todos os meses, o município continua tendo problemas com o desenvolvimento social e com as desigualdades. Com pouco mais de 24 mil habitantes, Craíbas não está sequer no top 30 das cidades alagoanas quando o assunto é mortalidade infantil e desemprego, especialmente entre os mais jovens.
Desenvolvendo suas atividades exploratórias em um momento de afrouxamento das regras ambientais, a Vale Verde pode ver o cenário de sua atuação revertido nos próximos meses, já que com a vitória do presidente Lula (PT), a expectativa é de que a fiscalização e autuação dessas possíveis irregularidades voltem a acontecer efetivamente.
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