Bastidores
Sessão da Câmara de Arapiraca tem embate entre vereador e ex-secretária sobre maternidades fechadas
Jackeline Barbosa rebateu Rogério Nezinho sobre acusações proferidas pelo vereador em sessão na semana anterior
Normalmente em clima de calmaria, a Câmara de Vereadores de Arapiraca viveu uma noite de terça (24) bastante agitada, ainda por conta do fechamento de várias maternidades no município nos últimos anos - o que tem causado um caloroso embate nas redes sociais, que chegou ao plenário.
No transcorrer da sessão, durante a leitura de uma indicação, o vereador Adriano Targino (PP) pediu um aparte, e rebateu as críticas feitas na semana anterior pelo vereador Rogério Nezinho (MDB) - de que várias maternidades haviam fechado no período em que Luciano Barbosa era o prefeito da cidade.
Targino disse que a retirada dos partos da Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima ocorreu no período da pandemia de Covid-19, para que pacientes com a doença fossem transferidos para o local. Os atendimentos na área foram então encaminhados para o Hospital Chama.
O vereador também afirmou que o atendimento de média e alta complexidade na área de maternidade é dever do governo estadual, que começou nesta mesma época a atrasar os repasses para as instituições.
Targino cobrou da mesa diretora da Casa de Herbene Melo a realização de uma audiência pública, com a convocação de representantes da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), para que dêem explicações sobre os atrasos nos repasses de recursos para instituições.
No entanto, foi quando o vereador Rogério Nezinho rebateu uma primeira fala da vereador Jackeline Barbosa (MDB), que a parlamentar respondeu com dados - durante boa parte do fechamento de hospitais em Arapiraca, ela era secretária municipal de saúde.
Primeiro, Nezinho afirmou que o município nem sequer havia solicitado habilitação num programa federal chamado Rede Aline, de remuneração por partos de média complexidade, o que indicaria o desinteresse da gestão em realizar esse tipo de procedimento.
Jackeline, então, respondeu a Nezinho afirmando que a Rede Aline, na verdade, é uma atualização da Rede Cegonha, programa que remunera partos de média complexidade ou risco habitual - o que segundo ela, não faz parte das obrigações do município, mas do governo estadual.
Barbosa disse ainda que o Hospital Chama assumia a função de realizar esses procedimentos, mas não aguentou a inadimplência por parte da Sesau - o que resultou no fechamento desta área pela instituição. Os débitos vem se acumulando desde fevereiro de 2024, e já somam mais de 1,3 milhão de reais.
Maternidade Afra Barbosa
Jackeline também respondeu a Nezinho sobre o fechamento da Maternidade Afra Barbosa - segundo documentos, por “ingerência administrativa e condução técnica inadequada”, e não por falta de recursos repassados pelo município.
Na época do fechamento, a entidade teria recebido visitas de técnicos da Sesau e do Conselho de Secretários de Saúde (Cosems), que constataram o ocorrido e recomendaram o fechamento, segundo a vereadora.
“A prefeitura na época tentou de todas as formas manter a maternidade aberta, foram 12 TACs [Termo de Ajustamento de Conduta] assinados e nenhum foi cumprido, então foi a União que fechou a Afra, não a prefeitura, que tentou até o último momento mantê-la funcionando”, disse Jackeline.
Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima
A vereadora também deu sua versão para este hospital, e disse que não houve interesse por parte da nova diretoria do local, composta pela família do deputado Ricardo Nezinho, em reabrir o setor de maternidade.
“Não houve acordo para reabrir a maternidade, o município realizou várias visitas e solicitou a reabertura”, disse.
Jackeline elencou várias medidas que foram tomadas pelo município para minimizar a ausência de vagas de parto, e cobrou de Rogério o envolvimento do seu irmão, Ricardo Nezinho, no diálogo com a Sesau para o pagamento dos repasses atrasados - o que possibilitaria o retorno dos atendimentos.
“Desde 2023, ninguém se manifestou para pedir ajuda ao governo, para ir ao MP. Deputados estaduais que tem acesso ao governador e ao secretário de saúde, nada fizeram, parece que só começaram a se preocupar agora”, disse.
“Apesar disso, o município implementou várias medidas. Disponibilizou uma ambulância especializada 24 horas na porta do Hospital Regional, para fazer o traslado da gestante para outro município em caso de lotação na instituição. Fizemos reunião com conselhos e gestão municipal para realocar gestantes de outras regiões que não deveriam estar aqui, da 9ª e 10ª região de saúde, em Santana do Ipanema”, afirmou.
O embate ficou mais acalorado a partir deste ponto, com o vereador Rogério Nezinho afirmando que procurou a gestão mais de 20 vezes para negociar a reabertura da maternidade Nossa Senhora de Fa´tima. “A senhora quer fazer média com o prefeito”, disse ele.
- Vereador, o senhor está nervoso porque sabe que eu trouxe provas. O TAC que o senhor fala que não fez, está posto, na prefeitura, disponível. Porque o senhor, junto com sua família, não reabriu a maternidade? se estão tão preocupados, porque não reabriram? Vocês tem como reabilitar, reabram”, afirmou.
Neste momento, a transmissão pelo YouTube da sessão foi cortada pela mesa diretora, para que ambos pudessem acalmar os ânimos. No retorno, a sessão transcorreu sem maiores embates.
Sobre o blog
Blog focado em política.
Arquivos
Últimas notícias
Palmeira dos Índios é única cidade de Alagoas a receber Prêmio de Inclusão Socioeconômica em Brasília
Penedo sedia encontro nacional dos Conselhos Municipais de Educação
Famílias de São Sebastião são beneficiadas com títulos de propriedade de imóveis
PL de Renan Calheiros avança no Senado com linha de crédito especial para produtores rurais endividados
Polícia desmancha depósito e apreende mais de 18kg de drogas no bairro São Luiz em Arapiraca
