Mestrandos de Meteorologia da Ufal participam de intercâmbio de pesquisas nos Estados Unidos
Estudantes de Meteorologia do Nordeste do Brasil estão acostumados a enfrentar altas temperaturas. Por aqui, os desafios são as longas estiagens em determinados períodos e regiões, as enchentes na quadra chuvosa e outros fenômenos atmosféricos dos trópicos. Mas dois estudantes do mestrado de Meteorologia do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) da Universidade Federal de Alagoas encararam uma realidade completamente diferente. Eles foram para o norte dos Estados Unidos, na Universidade Estadual de Nova York, em Oswego, para participar de uma pesquisa sobre a relação entre o congelamento do lago Ontário e as nevascas na região.
Leandro Rodrigo Macedo da Silva e Carlos Pinto da Silva Neto nunca tinham enfrentado tanto frio. Foram dois meses de experiência, do início de dezembro ao final de janeiro, período no qual os estudantes só contaram com uma semana sem neve. No restante do tempo, eles enfrentaram as mais baixas temperaturas registradas nos Estados Unidos nas últimas duas décadas. "Foi uma experiência totalmente nova para nós, mas que acrescentou muito a nossa formação científica", declarou Leandro.
Os estudantes participaram de um projeto de integração que reúne algumas universidades americanas com pesquisas em meteorologia. Os mestrandos, que atuam no Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) do Icat-Ufal foram convidados para o intercâmbio graças aos contatos feitos pelo professor Humberto Alves Barbosa, que desenvolve pesquisas em cooperação com universidades americanas.
O frio
Leandro Rodrigo já tinha viajado para o exterior algumas vezes, na América Latina, mas nunca tinha visto a neve de perto, nem sentido sensações térmicas de menos 30 graus. Em alguns dias de coleta de dados ele e o amigo não conseguiam ficar mais de dez minutos expostos às temperaturas congelantes e precisavam se aquecer no veículo. "Não foi uma adaptação fácil, mas queríamos vivenciar pesquisas numa realidade completamente diferente da nossa e isso foi muito válido", destacou o mestrando.
Durante a coleta de dados, as equipes eram distribuídas em vários pontos nas proximidades do lago Ontário e passavam horas seguidas nestes locais, sem outro abrigo além do carro, com equipamentos para medir a pressão atmosférica, a velocidade e a direção do vento, a temperatura e a sensação térmica. "Manusear os equipamentos e coletar dados faz parte da nossa rotina. Mas, se locomover em um ambiente com neve até os joelhos, foi uma sensação completamente inusitada", contou o estudante.
Apesar de ter muito trabalho e de enfrentar o desconforto causado pelo frio intenso, os estudantes também arranjaram tempo para "brincar". No intervalo de descanso eles experimentaram duas atividades recreativas tradicionais para quem mora em regiões com precipitação de neve. "Não perdemos a oportunidade de fazer o anjo e o boneco de neve e registrar isso em fotos para guardar em nossas recordações desse período muito produtivo", relatou Leandro.
A estrutura
Outra situação que ficou registrada nas observações dos estudantes é a estrutura para as pesquisas meteorológicas nas universidades americanas. "O campus conta com acomodações que nos impressionaram, com um ótimo restaurante e alojamento. Mas foi o investimento em tecnologia que nos chamou a atenção. Equipamentos de última geração para pesquisa de campo e para análises nos laboratórios", relatou Leandro.
Mas o que realmente surpreendeu os estudantes foi um equipamento que veio de outro estado americano. "A universidade do Wyoming enviou estudantes para esse estudo, que levaram um jatinho todo equipado, com sensores nas asas. Tiramos várias fotos, porque, com certeza, em nenhuma universidade brasileira os grupos de pesquisa pensariam em contar com uma aeronave para coleta de dados atmosféricos", contou Leandro impressionado.
As diferenças
Em todas as culturas, a diferença chama a atenção. Da mesma forma que os estudantes brasileiros ficaram impressionados com o frio e a estrutura do campus em Oswego, os americanos também ficaram curiosos para ouvir relatos sobre o Nordeste brasileiro e como vivem os nordestinos com tanto calor. "Fomos entrevistados pelo jornal da universidade, que é distribuído em versão impressa e também disponibilizado na internet, para falar de nossa experiência com a neve pela primeira vez e para contar um pouco sobre o Brasil", disse Leandro.
Como passaram o Natal e a virada de ano em Oswego, os estudantes também vivenciaram a hospitalidade da família que os recebeu para as festas. Entre as várias fotos tiradas durante o intercâmbio científico, também estão os registros de uma celebração natalina tipicamente americana, com um grande pinheiro enfeitado na sala. "Aqui, temos réplicas deste costume. Mas foi bom sentir o cheiro de uma árvore natural exalando pela casa", lembrou Leandro.
Últimas notícias
Concessão da Ceasa prevê tarifas congeladas por três anos e R$ 44 milhões em melhorias
Após colisão, prefeito de Matriz tranquiliza moradores e fala em 'livramento de Deus'
Homem em situação de rua sofre tentativa de homicídio no bairro Jaraguá
Cibele Moura participa de manifestação e cobra prisão de suspeitos pela morte de gata em Maceió
Jovem de 18 anos é retirado à força de casa e é executado a tiros em Maceió
Homem atira contra motociclista e deixa vítima ferida em Minador do Negrão
Vídeos e noticias mais lidas
[Vídeo] Chuvas abrem cratera e motoristas correm riscos na AL-101 Norte
Táxi de Arapiraca fica submerso após avanço da correnteza na Praia do Peba
Jovem é preso com arma e drogas no bairro do Jacintinho, em Maceió
Após prefeitura repor lâmpada, dono de sucata desafia moradores e arranca braço de poste
