Ministério Público investiga venda de rádio de Cunha
Três organizações da sociedade civil são autoras de representação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), feita ao Ministério Público Federal (MPF) do Rio por ele ser sócio da Rádio Satélite Ltda., de Pernambuco. As instituições citam o artigo 54, que proíbe deputados e senadores de firmar ou manter contrato com concessionárias de serviço público, como são as empresas de radiodifusão.
Cunha diz ter vendido a rádio em 2007, mas seu nome consta como sócio nos registros oficiais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Ministério das Comunicações.
A pasta informou que a venda ocorreu sem sua autorização, obrigatória no caso de emissoras de rádio e TV. Segundo o ministério, o pedido para "realizar alteração contratual" foi protocolado em 12 de abril de 2011 - quatro anos após a venda - e "o processo ainda está em análise", sem prazo para conclusão.
A sociedade na Rádio Satélite não consta da declaração de bens de Cunha enviada à Justiça Eleitoral. A assessoria do presidente da Câmara diz que a venda seguiu os procedimentos legais e foi informada na declaração de renda do deputado de 2007. Portanto, não poderia estar na lista de bens de Cunha. Segundo a assessoria, não há irregularidade no negócio. A notícia da sociedade de Cunha na Rádio Satélite foi publicada pela Revista Época na semana passada.
O MPF do Rio informou que a representação está em análise pela procuradora Marylucy Santiago Barra, do Ofício do Patrimônio Público e Social.
Sócios
Além de Cunha, os sócios da Satélite, voltada para o público evangélico, registrados na Anatel são o pastor Everaldo Pereira, da Assembleia de Deus, candidato do PSC à Presidência da República em 2014, e o ex-deputado e dono da Rádio Melodia, também evangélica, Francisco Silva, da Igreja Sara Nossa Terra, amigo do presidente da Câmara e responsável pela conversão dele à religião evangélica. A convite de Silva, Cunha chegou à Sara Nossa Terra. No começo deste ano, ele ingressou na Assembleia de Deus.
O pastor Everaldo informou que a venda da rádio foi feita em 9 de abril de 2007 e declarada no Imposto de Renda dos três sócios "O problema é que até hoje o Ministério das Comunicações não fez o registro da venda. Nós fizemos tudo de acordo com as exigências legais", afirmou o político. Segundo ele, a venda foi um "negócio normal" em decisão tomada pelos sócios, que compraram a rádio em 2005. O comprador, informou Everaldo, foi Romildo Ribeiro Soares, o R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. O Estado não conseguiu contato com R.R. Soares.
A representação ao Ministério Público foi feita pela Intervozes, pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pela organização Artigo 19. Na representação, as denunciantes pedem em o MPF tome medidas para cancelar a transferência acionária da Satélite, se a venda de fato foi efetivada, com devolução dos valores aos cofres públicos.
Solicitam ainda que a Procuradoria regional tome providências para cancelar a permissão de radiodifusão da rádio - seja pela venda supostamente irregular ou pelo fato de ter um parlamentar como sócio -; a realização de nova licitação para o funcionamento da emissora e a responsabilização da União pela falta de fiscalização do serviço público de radiodifusão.
Últimas notícias
Por unanimidade, ALE aprova Fundo de Fomento para fortalecer artesanato alagoano
Coruripe recebe coleta externa de sangue promovida pelo Hemoal nesta quinta-feira
Tradicional escola de Maceió anuncia encerramento das atividades após ordem de despejo
Prefeito JHC garante gratuidade nos ônibus para pessoas a partir de 65 anos
Amigos de alagoana assassinada em hotel de Aracaju fazem ato em memória da vítima
Ansiedade e depressão crescem entre adolescentes e acendem alerta para famílias
Vídeos e noticias mais lidas
Mistério em Arapiraca: saiba quem era o empresário morto a tiros em condomínio
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Cunhado de vereador é encontrado morto a tiros dentro de condomínio em Arapiraca
Subcomandante de unidade da PM de AL é denunciado por agredir a esposa, também policial militar
