Morre de Covid, Roseli Machado, vencedora da São Silvestre em 1996
Roseli Aparecida Machado teve uma carreira memorável no atletismo. Disputou os 5.000 metros nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, mesmo ano em que se tornou a segunda brasileira a vencer a São Silvestre, mais famosa corrida de rua do Brasil.
Após contrair Covid-19, Machado estava na UTI e intubada havia duas semanas em um hospital de Curitiba. Nesta quinta-feira (8), não resistiu e morreu.
"A CBAt registra o seu profundo pesar pela perda da Roseli e presta seus sentimentos aos familiares e amigos", lamentou a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), em nUma das maiores fundistas da história do país, Machado nasceu em Coronel Macedo, no interior de São Paulo, em 1968, e cresceu em Santana do Itararé (PR). Começou a treinar em Londrina (PR) com com o professor Antônio Carlos Gomes.
O auge de sua carreira foi em 1996. Naquele ano, além de vencer a São Silvestre (percorrendo os 15 km em 52 minutos e 32 segundos), ficou em 22º lugar nos 5.000 metros na Olimpíada de Atlanta —durante a prova, ela sofreu um pisão, que atrapalhou seu desempenho.
Como mostrou reportagem da Folha à época, a vitória na tradicional corrida brasileira foi uma mudança na vida da atleta, que dias depois já dizia estar negociando novos contratos de material esportivo.
"A fama é passageira e precisamos aproveitar a boa fase para conseguir dinheiro", afirmou na ocasião.
Ex-trabalhadora rural em Santana do Itararé (que tinha à época 5.570 habitantes), ela buscava na sua infância difícil a motivação para "tentar ganhar um salário decente". Segundo dizia, por ter trabalhado na roça até os 15 anos, conhecia bem as dificuldades da luta pela sobrevivência.
Na época, Machado afirmou ainda que contusões e doenças prejudicaram o seu desempenho nos Jogos de Atlanta.
Em 1997, uma cirurgia malsucedida encerrou precocemente sua carreira no alto desempenho. Ela se formou em Educação Física e trabalhou como treinadora.
"Conversamos bastante no ano passado, quando ela foi candidata a vereadora em Almirante Tamandaré [região metropolitana de Curitiba] e, atualmente, trabalhava com construção civil, tinha uma pequena empresa", disse Wlamir Motta Campos, presidente do Conselho de Administração da CBAt.
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