Condenação passa de 23 anos em ação do MPAL contra esquema em Arapiraca
A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 10 de dezembro de 2019
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) conseguiu na Justiça a condenação de integrantes ligados à organização criminosa investigada na Operação Senhor do Sol, que atuava em Arapiraca e é apontada como responsável por fraudes fiscais milionárias contra o Estado de Alagoas. Somadas, as penas aplicadas aos réus ultrapassam 23 anos de prisão.
A sentença foi proferida pela 17ª Vara Criminal da Capital, após ação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf), que investigou um esquema estruturado para fraudar o Fisco estadual, utilizar empresas de fachada e ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações.
Esquema causou prejuízo milionário
De acordo com as investigações, Jaeliton Cardoso de Oliveira e Gerson Gomes dos Santos criaram empresas fraudulentas que eram utilizadas para a prática de diversos crimes, entre eles falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária.
Segundo o Gaesf, o prejuízo causado ao Estado de Alagoas chega a R$ 4.657.730,62, valor que ainda deverá ser atualizado.
As empresas eram utilizadas para gerar movimentações financeiras e operações comerciais fictícias, com o objetivo de ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema.
Operação teve origem em investigação fiscal
A investigação começou a partir de relatórios da Secretaria da Fazenda de Alagoas que apontaram indícios de irregularidades em empresas do setor atacadista de alimentos.
Durante a Operação Senhor do Sol II, que desarticulou a estrutura criminosa com atuação em Arapiraca, equipes do Gaesf, com apoio de forças policiais, realizaram buscas e apreensões em diversos endereços.
Em uma das ações, foram apreendidos inúmeros documentos em uma empresa pertencente a Raul Bezerra da Silva, que ajudaram a comprovar o funcionamento da organização criminosa.
Operação foi deflagrada em 2019
A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 10 de dezembro de 2019, quando o Gaesf, com apoio da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizou mandados para desarticular a organização criminosa envolvida em fraudes fiscais e outros crimes.
A Justiça reconheceu que o grupo possuía estrutura organizada, divisão de tarefas e atuação permanente, características que configuram organização criminosa conforme a Lei nº 12.850/2013.
Para o promotor de Justiça Cyro Blatter, coordenador do Gaesf, a decisão representa um avanço no combate a esquemas empresariais utilizados para fraudar o sistema tributário e ocultar patrimônio.
Segundo ele, a condenação demonstra que não apenas os líderes, mas também os facilitadores e integrantes das estruturas usadas para dar aparência de legalidade aos esquemas, podem ser responsabilizados pela Justiça.
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