Saúde

Diagnóstico precoce e acompanhamento psicopedagógico são decisivos no TEA

Levantamento nacional expõe desafios no diagnóstico e inclusão de pessoas com TEA

Por Gabrielly Farias 10/04/2026 17h05 - Atualizado em 10/04/2026 17h05
Diagnóstico precoce e acompanhamento psicopedagógico são decisivos no TEA
Abril Azul reforça importância da psicopedagogia e do acesso a terapias para pessoas com autismo - Foto: Reprodução

Um levantamento nacional divulgado nesta semana acendeu um alerta sobre o acesso ao diagnóstico e às terapias para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. Os dados ganham ainda mais relevância durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo.

De acordo com o estudo, apenas 15,5% das pessoas realizam terapias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a maioria depende de planos ou atendimento particular. Além disso, mais da metade dos entrevistados afirmou ter acesso a apenas até duas horas semanais de acompanhamento, abaixo do recomendado.

Entre as terapias mais utilizadas está a psicopedagogia, apontada como uma das áreas fundamentais no desenvolvimento de pessoas com TEA, especialmente no ambiente escolar.

Importância da psicopedagogia

A psicopedagoga Tacyana Paula explica que a atuação começa já na identificação de sinais iniciais. “A avaliação psicopedagógica analisa como a criança aprende e se relaciona. No caso do autismo, conseguimos identificar sinais de alerta e encaminhar para uma investigação mais detalhada”, destacou.

Segundo ela, dificuldades na interação social, atraso na fala, pouco contato visual e comportamentos repetitivos são alguns dos principais indícios observados.

Após o diagnóstico, o acompanhamento psicopedagógico passa a ser essencial para o desenvolvimento da criança. “A psicopedagogia trabalha estratégias personalizadas, respeitando o ritmo da criança e ajudando na construção da aprendizagem, além de atuar junto à família e à escola”, explicou.

Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é determinante para o desenvolvimento cognitivo e social. Quanto mais cedo a intervenção, maiores são as chances de evolução nas habilidades de comunicação, autonomia e interação.

Outro ponto de atenção é a inclusão escolar. Apesar de a maioria das crianças com TEA estar matriculada, muitas ainda não recebem o suporte adequado dentro das escolas.

Para a psicopedagoga, o trabalho conjunto entre profissionais, família e escola é essencial. “A comunicação entre todos garante estratégias alinhadas e avanços mais consistentes para a criança”, afirmou.

Abril Azul

No contexto do Abril Azul, o debate sobre inclusão e acesso a serviços ganha força. A campanha busca ampliar a conscientização e combater preconceitos, além de reforçar a necessidade de políticas públicas mais efetivas. “Adaptar não é privilegiar, é garantir equidade. A inclusão começa pela informação e pelo respeito às diferenças”, concluiu Tacyana.