Novo curso de Inteligência Artificial é destaque do semestre 2026.2 na Ufal
Com aulas noturnas, currículo flexível e formação voltada à pesquisa e ao mercado de trabalho, bacharelado inicia sua primeira turma com programação especial de acolhimento
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) inicia, no semestre letivo 2026.2, a primeira turma do Bacharelado em Inteligência Artificial, uma das principais novidades acadêmicas da instituição neste ano. Vinculado ao Instituto de Computação (IC), o novo curso amplia a formação da Ufal em tecnologias emergentes e fortalece a atuação da Universidade no desenvolvimento científico, econômico e social.
A Ufal já possui uma trajetória consolidada em pesquisas e projetos envolvendo IA, especialmente em aplicações voltadas à educação. Com a nova graduação, a Universidade cresce o protagonismo e passa a oferecer uma formação específica para profissionais que desejam desenvolver, aperfeiçoar e utilizar sistemas inteligentes.
“É um momento muito especial para a gente, porque o curso traz novas perspectivas na área de tecnologia e inovação para o estado de Alagoas”, afirmou a coordenadora do curso, professora Cristina Tenório.
Aula inaugural marca início do curso
O início da primeira turma será celebrado com uma aula inaugural aberta à comunidade acadêmica. O convidado principal será o professor George Darmiton, do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que participou da implantação e foi o primeiro coordenador do curso de Inteligência Artificial da UFPE.
Além de compartilhar a experiência da instituição pernambucana, o professor deverá abordar os desafios da formação na área e as perspectivas para os estudantes que estão ingressando em uma graduação ainda recente no país.
“Ele teve essa experiência de coordenar um curso novo e vai trazer essa mensagem para os nossos alunos. É também um profissional de alto nível na área, com projeção nacional e internacional”, acrescentou o professor Evandro Costa, um dos idealizadores do curso da Ufal.
O convidado também atuará durante um ano como pesquisador visitante na Ufal, contribuindo com atividades da graduação, do Programa de Pós-Graduação em Informática e dos grupos de pesquisa do Instituto de Computação.
A aula inaugural vai contar ainda com representantes de grandes empresas de tecnologia e com egressos da Universidade que atualmente ocupam posições de destaque no setor.Entre os participantes esperados estão profissionais que trabalham no Google, incluindo ex-alunos dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Computação da Ufal.
“A ideia é que eles possam deixar uma mensagem para os estudantes entenderem que os nossos alunos conseguem chegar a postos de trabalho muito importantes, como acontece hoje no Google”, destacou Evandro.
Semana de acolhimento terá palestras e apresentação de projetos
Além da aula inaugural, os novos estudantes participarão de uma programação especial de acolhimento, com atividades realizadas no Instituto de Computação, no Campus A. C. Simões, e em outros espaços da Universidade.
A semana contará com palestras de representantes de empresas como AWS e Google, apresentação dos grupos de pesquisa do IC, orientações sobre o funcionamento acadêmico da Ufal e informações sobre oportunidades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.
Centros acadêmicos, diretórios estudantis e o Diretório Central dos Estudantes também participarão das atividades. “Será uma semana de acolhimento muito completa. Teremos palestras, apresentação dos grupos de pesquisa e momentos para mostrar onde os alunos poderão interagir dentro da Universidade”, explicou Cristina.
A programação pretende facilitar a adaptação dos estudantes à vida universitária e apresentar, desde o início, as diferentes possibilidades que estarão disponíveis ao longo da graduação.
“A nossa expectativa é oferecer um curso de excelência, ampliar as parcerias e consolidar a Ufal como referência na formação e no desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial”, concluiu a coordenadora.
Formação especializada para uma nova realidade profissional
A graduação foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni) em novembro de 2025 e faz parte de uma estratégia de ampliação da formação tecnológica, em consonância com uma indução do Ministério da Educação no âmbito do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
A primeira turma será composta por 40 estudantes. Já em sua estreia no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a graduação ficou entre os seis cursos mais concorridos da Ufal, indicando o interesse crescente dos candidatos por uma formação específica em inteligência artificial.
Segundo Cristina Tenório, o avanço das tecnologias de IA vem modificando o mercado de tecnologia da informação e criando a necessidade de profissionais com uma preparação diferente daquela tradicionalmente oferecida pelas formações mais generalistas da área. “A gente está vivendo uma mudança de paradigma na formação, porque agora vamos ter um profissional que lide especificamente com isso e que atenda a esse tipo de demanda”, explicou a coordenadora.
A proposta não se limita ao ensino do uso de ferramentas já existentes. Como se trata de um bacharelado, os estudantes serão preparados para compreender os fundamentos científicos da inteligência artificial, desenvolver modelos e sistemas, criar novas aplicações e utilizar essas tecnologias de forma tecnicamente adequada. E acordo com a professora, a formação deve preparar profissionais para atuar em empresas de tecnologia, órgãos públicos, instituições de pesquisa, universidades e diferentes setores produtivos que estejam incorporando soluções baseadas em dados, automação e inteligência artificial.
Experiência do Instituto de Computação
O vice - coordenador do curso, professor Evandro Costa, destaca que o Instituto de Computação já possui experiência acadêmica, científica e tecnológica suficiente para atender à demanda por uma formação específica em IA.
Os cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Computação oferecem diversas disciplinas relacionadas à área, além de projetos desenvolvidos com parceiros. “O Instituto já estava bem preparado para essa demanda. A inteligência artificial está presente hoje em praticamente todos os empreendimentos do IC, seja na interação com empresas, seja na interação com órgãos públicos”, ressaltou Evandro.
Segundo o professor, o novo curso deve produzir impactos que ultrapassam os limites da Universidade. “É um curso que promete impactar bastante o Estado, a economia, as empresas privadas e também o setor público. É uma graduação cheia de boas perspectivas”, avaliou.
A experiência já acumulada pelo Instituto permitirá que os novos estudantes tenham acesso a grupos de pesquisa, projetos de inovação, laboratórios e iniciativas que utilizam inteligência artificial em diferentes áreas do conhecimento.
Currículo flexível acompanha evolução da IA
Um dos principais diferenciais da graduação será a flexibilidade do currículo. A estrutura permite incorporar novas tecnologias, métodos e aplicações à medida que a área evoluir. Os estudantes também poderão direcionar parte da própria formação para os temas de maior interesse acadêmico ou profissional. “A inteligência artificial está se desenvolvendo de um jeito em que a gente vai dormir com uma imagem de como ela está e acorda com uma coisa diferente. Por isso, o projeto pedagógico precisa estar preparado para essa dinâmica”, explicou Evandro Costa.
De acordo com Cristina Tenório, a presença significativa de componentes eletivos permitirá que o estudante se desenvolva junto com a própria área. “Temos um currículo com 60% de disciplinas obrigatórias e 40% de eletivas, para abordar as tecnologias que estão chegando e oferecer flexibilidade na formação. Isso dá ao aluno a possibilidade de crescer junto com a área”, afirmou.
Aulas noturnas ampliam acesso à Universidade
Outra característica do bacharelado é a oferta das aulas no período noturno. O formato permite o ingresso de estudantes que já trabalham, de profissionais interessados em mudar de área e de pessoas que não iniciaram uma graduação imediatamente após a conclusão do ensino médio.
A primeira turma reúne diferentes perfis, incluindo jovens recém-formados, servidores da própria Universidade e pessoas que já atuam no mercado de trabalho. “Essa é uma oportunidade inclusive para quem quer mudar a sua área de atuação. A oferta noturna tem uma característica social importante, porque atende pessoas que precisam trabalhar para se manter”, destacou Cristina.
O curso terá aproximadamente 3.200 horas e duração prevista de quatro anos e meio. A partir de 2027, a expectativa é realizar duas entradas anuais, totalizando 80 novos estudantes por ano. “A gente quer fazer um curso muito bom e captar bons alunos, para que essa graduação seja um marco para a Universidade, assim como o curso de Ciência da Computação já é”, afirmou Cristina.
Aproximação com empresas e mercado de trabalho
A proposta acadêmica também prevê uma aproximação permanente com empresas e organizações que utilizam inteligência artificial. O objetivo é acompanhar as demandas profissionais, desenvolver projetos conjuntos e facilitar a inserção dos estudantes no mercado de trabalho.
O Instituto de Computação já busca estabelecer parcerias com empresas do setor, incluindo grandes plataformas tecnológicas. Entre as possibilidades estão palestras, projetos de pesquisa e inovação, formação complementar e instalação de laboratórios dentro da Universidade. “O nosso objetivo é fazer um curso voltado para o mercado. Vamos estar sempre próximos das empresas, para compreender as demandas e posicionar o nosso egresso como profissional, sem deixar de trabalhar com pesquisa científica”, explicou Cristina Tenório.
A coordenadora também ressaltou que o mercado de computação não está limitado às oportunidades existentes em Alagoas. O crescimento do trabalho remoto permite que estudantes e profissionais formados pela Ufal atuem em empresas de outras regiões e até do exterior.
Nos cursos já existentes no IC, muitos alunos começam a participar de projetos de pesquisa, prestar serviços ou trabalhar profissionalmente ainda durante a graduação.
Novos docentes reforçarão a graduação
Para a implantação do bacharelado, foram pactuadas com o Ministério da Educação 15 vagas para professores. Nove delas já foram destinadas à Ufal e deverão ser preenchidas por concursos públicos e processos de remoção de docentes.
A expectativa é que a ocupação das vagas tenha início no semestre 2027.1. Até lá, as disciplinas iniciais serão ministradas por professores do próprio Instituto de Computação, uma vez que parte dos componentes de formação básica é comum aos três cursos da unidade acadêmica.
A Reitoria também negocia com o MEC a destinação de vagas para servidores técnico-administrativos, que deverão contribuir com o funcionamento da graduação e com o atendimento ao número crescente de estudantes.
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