Politicando
PT baiano promove ‘operação abafa’ para enterrar CPI e investigações contra a Braskem
Controladora da Braskem é antiga parceira do partido na Bahia
Encerrada a desastrosa reunião entre Lula, Paulo Dantas e o prefeito JHC na manhã desta terça-feira, que serviu apenas para gastar carbono dos vôos de prefeito e governador até Brasília, está em curso uma bem sucedida operação de salvação da Braskem no âmbito político.
O movimento é capitaneado pelo PT baiano, dirigido por Rui Costa (Casa Civil) e Jacques Wagner, senador petista e líder do governo no Senado. Otto Alencar (PSD), apesar de não ser petista, também integra a trama.
E o que une a bancada de senadores baianos à Braskem, sabidamente a maior culpada pelo maior crime ambiental em área urbana do mundo? Os interesses em comum e a ‘amizade’ com a turma da empresa controladora da Braskem. A Novonor é uma reedição da antiga Odebrecht, construtora fundada pelo baiano Norberto Odebrecht, fiel parceira da política baiana desde que o mundo é redondo.
Cabe à Jacques Wagner, líder do governo no senado, abafar a criação da CPI - ou ao menos fazer com que ela traga danos mínimos à Braskem. Para isso, o senador atrasou enquanto pôde a indicação dos nomes petistas à comissão, e agora trabalha para que ela tramite em torno da sua influência, com relator de sua confiança.
Ao ministro Rui Costa, cabe manter o governo distante da questão, sob o pretexto de não interferir na ‘briga política’ que existe em Alagoas entre o prefeito JHC e o governador Paulo Dantas. Costa chegou a fazer uma defesa gratuita da Braskem, afirmando que sua operação “foi licenciada durante décadas por vários gestores que passaram pelo estado”.
Otto Alencar, por fim, seria o senador a instalar e dirigir a comissão, por ser o parlamentar mais velho entre os indicados. Renan Calheiros e seus longos dossiês contra a mineradora ficariam de fora do corpo diretivo da CPI.
A versão da ‘operação abafa’ agrada a Lula, não por alguma questão pouco republicana, mas porque o presidente é um crítico declarado do modelo ‘lava-jato’ de tratar as empresas brasileiras. Além disso, ele também avalia que um baque da Braskem vai acabar prejudicando a Petrobras, que é sócia da empresa.
Sim, o presidente está sendo convencido de que o crime ambiental cometido em Maceió é somente uma ‘guerra política’ entre duas facções políticas rivais.
Enquanto isso, o povo - este pequeno detalhe, vai ficando em segundo plano. Tanto em Alagoas, quanto em Brasília. Abafado.
Sobre o blog
Governo ou Senado? Após deixar a Prefeitura, JHC terá dois caminhos decisivos para 2026
Com o avanço das articulações políticas para 2026, o cenário envolvendo o prefeito de Maceió, JHC, começa a ganhar contornos mais definidos — ainda que cercados de incertezas nos bastidores.
Após deixar o comando da capital alagoana, JHC terá, na prática, dois caminhos principais: disputar o Governo de Alagoas ou entrar na corrida por uma vaga no Senado Federal.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o prefeito vem trabalhando com ambas as possibilidades de forma estratégica. A eventual candidatura ao Governo surge como um movimento natural, considerando sua projeção política e capital eleitoral. Por outro lado, a disputa pelo Senado aparece como uma alternativa considerada mais segura e com menor desgaste político.
A leitura entre lideranças é de que a definição final dependerá diretamente do cenário político estadual, especialmente da composição de alianças e do posicionamento de grupos tradicionais.
A filiação ao PSDB, acompanhada pela primeira-dama Marina Candia e pela senadora Eudócia Caldas, reforça que o grupo já está inserido em um projeto maior, mirando protagonismo nas eleições.
Apesar disso, a ausência de uma definição clara sobre qual cargo será disputado tem alimentado dúvidas entre aliados e lideranças políticas. A avaliação é que o tempo de indefinição pode impactar diretamente na construção de confiança e na consolidação de apoios.
Nos bastidores, a percepção é objetiva: JHC joga em duas frentes, mas, ao deixar a prefeitura, precisará fazer uma escolha definitiva e essa decisão tende a redesenhar completamente o tabuleiro político de Alagoas para 2026.
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