Politicando
Escala 6x1 provoca debate acalorado entre Teca Nelma e Chico Sales na Câmara de Maceió
Vereador chamou presidente Lula de ‘maloqueiro’ enquanto Teca disse que o parlamentar ‘não pega ônibus’
A sessão da Câmara de Vereadores de Maceió desta terça-feira (12) converteu-se numa espécie de mini-parlamento federal, com um intenso debate sobre o assunto que domina a opinião pública atualmente - a redução da jornada de trabalho, o que está se chamando de ‘escala 6x1’.
Dois vereadores com opiniões divergentes - Chico Sales (PL) e Teca Nelma (PT) - subiram na tribuna da Casa de Mário Guimarães para debater o tema. Sales, que começou na política no PCdoB e hoje é do PL, afirmou que a redução de jornada é uma pauta de ‘esquerda’, culpando também o governo federal pelo debate.
“A gente está vendo a esquerda defender o fim da escala 6x1. O trabalhador inteligente e comprometido, sabe que tem que caminhar junto com o trabalhador. O presidente Luís Inácio Lula da Silva tem a cara de pau de dizer que os empresários brasileiros são vagabundos, são omissos e que as empresas só crescem a partir do trabalho dos trabalhadores e não daqueles que geram os empregos. Um líder tem que se policiar antes de falar, porque senão fala besteira e coloca o país em risco”, disse.
Enquanto o vereador falava na tribuna, a vereadora Teca Nelma (PT) também pediu a palavra à mesa, e foi enquanto ela defendia a redução da jornada de trabalho, proposta da PEC, que Chico Sales pediu um aparte e aumentou o tom das críticas a Lula.
“Saia daqui e vá conversar com o setor produtivo. A gente está aqui enquanto tem muita empresa fechando, a gente está numa situação de grande decadência. Não fique fechada em suas ideias esquerdistas, a senhora é uma mulher inteligente. A senhora é de um partido de um presidente maloqueiro, que chama os empresários de vagabundos, vereadora”, afirmou, sendo interrompido por Teca.
A partir daí, o confronto de ideias acabou se tornando um bate-boca, com interrupções e em tom acalorado:
Teca: Eu quero que o senhor mostre, bote aqui no plenário onde foi que o presidente Lula chamou os empresários de vagabundos, mostre agora!
Sales: Se eu mostrar a senhora sai do Partido dos Trabalhadores?
Teca: Não!
Sales: A senhora renuncia ao seu mandato?
Teca: Não! Prove, porque o que o senhor fala é um monte de asneiras.
Após esse ponto, Teca retoma o seu tempo e começa a falar novamente sobre o tema, quando Sales deixa o plenário e é mais uma vez criticado pela vereadora.
“O senhor dormiu às 5 da manhã no Aldebaran, com os seus carros e o poder aquisitivo que o senhor tem. O senhor não pega ônibus nesse horário. E o senhor sai quando eu to falando, respondendo a sua pergunta, parabéns vereador, o senhor é muito diplomático e muito democrático. A gente sabe quando a gente erra quando não escuta nem o contraditório”, disse.
Geralmente discreto na sua atuação parlamentar, Sales demonstrou abertamente sua insatisfação com a PEC apresentada na Câmara pela deputada Érika Hilton, do PSOL (SP). O vereador também é empresário do ramo de supermercados, e segundo ele emprega mais de 400 trabalhadores.
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Governo ou Senado? Após deixar a Prefeitura, JHC terá dois caminhos decisivos para 2026
Com o avanço das articulações políticas para 2026, o cenário envolvendo o prefeito de Maceió, JHC, começa a ganhar contornos mais definidos — ainda que cercados de incertezas nos bastidores.
Após deixar o comando da capital alagoana, JHC terá, na prática, dois caminhos principais: disputar o Governo de Alagoas ou entrar na corrida por uma vaga no Senado Federal.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o prefeito vem trabalhando com ambas as possibilidades de forma estratégica. A eventual candidatura ao Governo surge como um movimento natural, considerando sua projeção política e capital eleitoral. Por outro lado, a disputa pelo Senado aparece como uma alternativa considerada mais segura e com menor desgaste político.
A leitura entre lideranças é de que a definição final dependerá diretamente do cenário político estadual, especialmente da composição de alianças e do posicionamento de grupos tradicionais.
A filiação ao PSDB, acompanhada pela primeira-dama Marina Candia e pela senadora Eudócia Caldas, reforça que o grupo já está inserido em um projeto maior, mirando protagonismo nas eleições.
Apesar disso, a ausência de uma definição clara sobre qual cargo será disputado tem alimentado dúvidas entre aliados e lideranças políticas. A avaliação é que o tempo de indefinição pode impactar diretamente na construção de confiança e na consolidação de apoios.
Nos bastidores, a percepção é objetiva: JHC joga em duas frentes, mas, ao deixar a prefeitura, precisará fazer uma escolha definitiva e essa decisão tende a redesenhar completamente o tabuleiro político de Alagoas para 2026.
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