Blog do Roberto Ventura
Uma prática corriqueira
Tornou-se comum no mundo político o rompimento entre o prefeito que sai com o prefeito que está assumindo, mesmo que o segundo tenha sido apoiado pelo primeiro.
O prefeito que apoia seu sucessor se acha no direito de indicar os principais cargos existentes na administração. Daí é que começa a discórdia e o rompimento político.
É bem verdade que o prefeito que está assumindo o poder não poderá atender a todos os pedidos daquele que o apoiou, entretanto, terá que ser fiel e cumprir com aquilo que foi a acordado.
Por outro lado, na maioria das vezes, o prefeito eleito não cumpre, sobretudo, com os compromissos assumidos, preestabelecidos e acordados com o grupo político que lhe deu apoio para chegar a vitória.
Existem alguns motivos para que esses desentendimentos sempre ocorram e se tornem uma prática corriqueira na política.
Mas, o principal motivo para essa ruptura é que o prefeito, na maioria das vezes, deseja mandar mais que seu sucessor e quer sempre mais espaço do que realmente merece.
Diante das negativas do titular em atender algumas das exigências do prefeito que saiu, é que começam as desavenças e a quebra da aliança política.
Temos vários exemplos aqui mesmo em Alagoas. Nas cidades de Maragogi e Rio Largo essa prática está explicita, clara, notória.
Em Maragogi, o ex-prefeito Fernando Sérgio Lira rompeu politicamente com seu sucessor, Daniel Vasconcelos Ferreira, o Dani (PP). Dani Vasconcelos teve o apoio de Sergio Lira, entretanto, em pouco mais de trinta dias, veio o desentendimento e, consequentemente, o racha político.
É grande o clima de insatisfação e revolta por parte do grupo que apoiou a eleição do prefeito Dani. Em seu início mandato, o prefeito sofre um desgaste sem precedentes naquela linda, hospitaleira e aconchegante cidade. Dani atravessa momentos turbulentos em sua administração. Seu maior apoiador e incentivador, o ex-prefeito Fernando Sérgio Lira - o qual deu régua e compasso para que ele obtivesse sucesso em sua eleição -, hoje, Dani e Sérgio Lira já não falam a mesma língua e estão rompidos politicamente. Sérgio Lira não só foi o articulador e um dos mentores principais da candidatura de Dani, como também conseguiu com seu grupo político, derrotar o candidato Marcos Madeira, que tinha o apoio dos Calheiros.
Em Rio Largo, a família Gonçalves não se entende e temos visto quase que todos os dias na mídia falada, escrita e televisada uma disputa familiar sem precedentes naquela cidade.
O ex-prefeito Gilberto Gonçalves, apoiou para a sua sucessão, Carlos Gonçalves - sobrinho de sua esposa - com o pensamento de continuar 'dando as cartas' no município, o que até agora não aconteceu e que, provavelmente, não ocorrerá.
Ainda na condição de prefeito, ao apagar das luzes, Gilberto Gonçalves enviou um Projeto de Lei à Câmara Municipal criando a supersecretaria, a qual lhe daria superpoderes sobre todos os demais secretários. Com isso, o ex-prefeito queria implantar uma espécie de sistema parlamentarista de governo, onde ele mesmo seria o ‘primeiro ministro’ e Carlos Gonçalves seria o ‘rei’. Nesse sistema de governo o rei reina, mas não governa.
Um desentendimento entre Gilberto e os vereadores da base aliada, fez com que o supersecretário demitisse vários funcionários que foram indicados por esses mesmos vereadores, fato esse que não agradou ao prefeito.
Os vereadores atingidos foram reclamar ao prefeito e, o mesmo, não teve outra alternativa senão revogar a decisão de Gilberto Gonçalves. A partir desse momento, criou-se um clima tenso e desentendimentos entre a criatura – Carlos Gonçalves – e seu criador – Gilberto Gonçalves.
Em Rio Largo, o clima é bastante tenso na administração de Carlos Gonçalves. Carlos e Gilberto não se entendem e eles - criatura e criador - estão cada vez mais próximos de um o rompimento político.
Essa aproximação do prefeito Carlos Gonçalves com os Calheiros tem um significado todo especial: afastar qualquer tentativa de boicote ou intimidação à sua administração.
Assim sendo, o prefeito riolarguense, se aproxima dos Renans na tentativa de neutralizar qualquer tentativa de perseguição por parte de Gilberto Gonçalves. Essa é a mais uma prova de que as coisas não estão saindo conforme foram planejadas pelo ex-prefeito de Rio Largo.
Portanto, o prefeito que sai quer ditar normas e regras para o candidato que ele apoiou, e o prefeito que entra - que foi apoiado pelo antecessor -, não atende na maioria das vezes aos interesses e desejos de seu apoiador e, com isso, gera-se desentendimento e, consequentemente, rompimento político. Isso na maioria das vezes ocorre porque o prefeito que sai acha que ainda é o prefeito e quer admitir, demitir, contratar, ou seja, fazer e desfazer na nova administração e, evidentemente o que entra, não permite que isso aconteça, até porque esse não poderá jamais atender a todos os pedidos e desejos de seu apoiador. É dessa forma que nasce os desentendimentos e o racha em um grupo político.
Sobre o blog
Roberto Ventura: Bel. em Ciências Sociais ( Cientista Político), Jornalista, Radialista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Marketing, cursou Marketing Político, Ex-Arbitro de Futebol Profissional
Arquivos
Últimas notícias
Pesquisa Quaest aponta desgaste de Lula e cenário indefinido para 2026
Caio Bebeto alerta para risco de desabamento e insegurança em imóvel abandonado em Ipioca
Pela quarta vez, Deputado Fabio Costa assume vaga titular na Comissão de Segurança da Câmara
Novo tomógrafo do Hospital de Emergência do Agreste agiliza diagnóstico de traumas e AVC
Atalaia transforma a Busca Ativa Escolar em protocolo de proteção e cuidado com crianças e adolescentes
