Peça recria história da boate gay que desafiou a ditadura em Brasília
O Arco-íris no Concreto, de Sérgio Maggio, fica em cartaz em Brasília até o dia 5 de outubro e conta a história da tradicional New Aquarius
Em plena ditadura militar, no subsolo do Conic, nascia a primeira boate gay de Brasília: a New Aquarius. Era 1974, e o espaço se tornaria um refúgio para uma comunidade que precisava existir, mesmo em tempos de repressão. Hoje, 50 anos depois, a memória do local inspira a peça O Arco-íris no Concreto, de Sérgio Maggio, que estreia nesta quarta-feira (24/9) no Complexo Cultural de Samambaia.
A ideia de transformar a boate em espetáculo, segundo Sérgio Maggio, nasceu de burburinhos que sempre escutou na capital.
“Desde que cheguei em Brasília, em 2001, que as histórias da New Aquarius sussurravam aos meus ouvidos, sempre com muito afeto e saudosismo. Iniciei a pesquisa para a escrita e montagem da peça, em 2019, e fomos interrompidos pela pandemia. Agora, finalmente, chegamos ao palco não só para escavar memórias, mas, sobretudo, discutir o significado desses espaços transgressores numa época de extrema violência institucional contra pessoas LGBTQIA+”, diz o diretor e dramaturgo ao Metrópoles.
No palco, Hugo Leonardo, Maria Leo Araruna e Pedro Olivo dão vida a personagens que transitam entre passado e presente, enquanto a drag LuShonda recebe o público no foyer. As histórias do local também são narrativas de sobrevivência.
“Dentro da boate, o território era livre. Fora, todos estavam sujeitos à violência institucional da ditadura militar. Depois do show, as transformistas tinham que voltar a se vestir como homens para sair da boate sem o risco de serem abordadas e enquadradas por vadiagem ou atentado ao pudor e levadas para uma delegacia de repressão aos costumes”, lembra Maggio.
A pesquisa da peça foi intensa. Entre histórias orais, registros em jornais e o documentário Um Salto Alto – A História da Arte Transformista no Distrito Federal, de Luís Plasmo, a montagem conseguiu recriar o espírito da New Aquarius, que reuniu artistas, intelectuais, jornalistas e boêmios em uma Brasília “pacata” e quase sem vida noturna.
Passado e futuro de resistência
Outra coisa abordada no espetáculo é o encontro entre gerações. Maggio explica que as diferenças internas da comunidade também precisam ser reconhecidas: “Esse é um ponto crucial dentro da história porque a comunidade LGBTQIA+ enfrenta internamente conflitos, como o etarismo, ao mesmo tempo que as pessoas mais maduras rejeitam a forma de luta das chamadas ‘novinhas'”.
Na visão do diretor, esse embate pode se transformar em potência quando há diálogo. “São duas forças que, por vezes, colidem, mas que, em sua potência, fortalecem quando somadas e compreendidas. Não é grave se uma travesti idosa não aceita a linguagem neutra enquanto uma garota que transicionou não compreende que, historicamente, muitas travestis tiveram que colocar uma navalha escondida na boca para não ser morta na madrugada”, explica.
Para Maggio, o risco está na divisão política: “O perigoso é ter pessoas LGBTQIA+ apoiando forças políticas que estão dispostas a extingui-las”.
Apesar de abordar temas delicados, o espetáculo não tem a intenção de fazer militância direta. “A montagem quer trazer um caldeirão de ideias políticas e estéticas sem ser panfletária. Não vamos subir ao palco para fazer militância”, garante Maggio.
Serviço
O Arco-íris no Concreto
24 de setembro, às 20h, no Complexo Cultural Samambaia. 26 e 27 de setembro, às 19h30, 28 de setembro, às 18h30; 3 e 4 de outubro, às 19h30; 5 de outubro, às 18h30, no Sesc Silvio Barbato (Setor Comercial Sul). Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pelo Sympla. Classificação: 16 anos.
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