O que diz o testamento de Anita Harley que foi invalidado pela Justiça
O testamento de Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas, foi invalidado pela Justiça após uma série de disputas envolvendo a herança
A série documental O Testamento: o Segredo de Anita Harley trouxe à tona detalhes do documento que se tornou peça central na disputa bilionária envolvendo a empresária Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas. Invalidado pela Justiça, o chamado testamento vital expõe não apenas decisões pessoais sobre cuidados médicos, mas também o centro de um embate familiar e jurídico que envolve cerca de R$ 2 bilhões.
Diferente de um testamento tradicional, voltado à divisão de bens após a morte, o documento assinado por Anita define diretrizes sobre quem poderia tomar decisões no nome dela em situações de incapacidade, sobretudo em casos de inconsciência, como ocorre desde 2016, quando ela entrou em coma.
No texto, Anita declara que a amiga e assessora de longa data, Cristine Alvares Rodrigues, teria acesso irrestrito a ela “em caráter permanente ou temporário”, onde quer que estivesse, seja em residência, hospital ou qualquer outro local.

Testamento vital assinado por Anita Harley. Reprodução/Netflix
Na prática, o testamento vital coloca Cristine como figura central na gestão da vida da empresária, inclusive com autoridade para intermediar decisões médicas e restringir o acesso de familiares.
“Podendo ainda permitir ou vetar visitas de estranhos ou de meus parentes mais próximos ou remotos, irmãos, sobrinhos, cunhada ou cunhado, tios, tias, primos e primas, somente competindo à dita pessoa já nomeada e qualificada dar, em favor do meu bem-estar e da minha saúde, todas as ordens, instruções ou autorizações, orais ou escritas, ou autorizações solicitadas por médico ou equipe médica que se fizerem necessárias, em qualquer lugar, país ou lugar, razão por que lhe invisto de amplos e especiais poderes para esse fim”, diz o documento assinado pela herdeira.
Esse ponto se tornou um dos principais focos de contestação judicial. Isso porque, desde 2016, quando a empresária entrou em coma, começou uma disputa pela curatela, ou seja, pelo direito de administrar os interesses de Anita.
A Justiça considerou, durante o processo, que o documento não refletia de forma incontestável a vontade da empresária, especialmente após Sônia, conhecida como Suzuki, alegar ter uma união estável com ela. A movimentação levantou dúvidas sobre quem deveria ser a curadora legal e responsável pelas decisões de vida e morte.
Outro elemento decisivo foi a disputa pelo reconhecimento de um filho socioafetivo, Arthur, filho biológico de Suzuki, que também dificultou os trâmites do processo.
Devido aos conflitos e à ausência de herdeiros diretos, a Justiça anulou documentos iniciais e nomeou um curador externo para gerir a fortuna de cerca de R$ 2 bilhões e as decisões médicas.

Suzuki, Cristine Rodrigues e Anita Harley juntas. Reprodução/Globoplay
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