Iaaf mantém atletismo da Rússia fora da Olimpíada por escândalo de doping
A Federação Internacional de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira que manteve a suspensão ao atletismo da Rússia pelo escândalo de doping, o que fará os atletas do país na modalidade perderem a Olimpíada do Rio de Janeiro. A informação, primeiramente divulgada pela imprensa europeia e por autoridades russas, foi confirmada em entrevista coletiva nesta tarde após reunião do Conselho da entidade em Viena.
Em novembro do último ano, uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada) soltou um relatório bombástico, no qual denuncia um "esquema de doping organizado e generalizado" na Rússia, levando a Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) a suspender o país de todas as competições internacionais. Com os mais de 4 mil representantes do país proibidos de competir, a decisão final ficou para esta sexta-feira após avaliação dos esforços russos para se adequar às exigências.
"Foram feitos progressos, mas a decisão unânime do conselho foi de manter a punição à Rússia", disse o presidente da Iaaf, Sebastian Coe, confirmando que a entidade considerou que a Rússia não atendeu aos critérios de readmissão exigidos pela federação depois do escândalo de doping estourado em novembro do último ano.
Em comunicado, o ministério de esportes da Rússia disse estar extremamente desapontado com a decisão. "Os sonhos de atletas limpos estão sendo destruídos por causa do comportamento repreensível de outros atletas e dirigentes. Eles sacrificaram anos de suas vidas se esforçando para competir nos Jogos Olímpicos, e agora esse sacrifício está próximo de ser desperdiçado", diz a nota.
Porém, ainda resta uma possibilidade de alguns atletas russos participarem dos Jogos. Uma reunião na próxima terça-feira em Lausanne, envolvendo o COI, federações internacionais e nacionais e organismos antidoping, debaterá a possibilidade de avaliar o caso de cada atleta para uma possível “justiça individual" aos que estiverem comprovadamente limpos.
"Os atletas não contaminados pelo sistema russo, mas que estão sob programas antidoping efetivos, podem solicitar uma avaliação individual", disse Coe na entrevista.
Logo após a decisão, Yelena Isinbayeva disse, segundo a agência TASS, que irá recorrer à Corte dos Direitos Humanos. Mais cedo, o presidente russo Vladimir Putin se pronunciou sobre o assunto durante o Forum Econômico Internacional de São Petersburgo e afirmou que "Não há e não pode haver nenhum apoio do Estado, principalmente no que diz respeito ao doping".
"Não é possível haver responsabilidade coletiva para todos os atletas. Uma equipe inteira não pode assumir toda a responsabilidade por violações cometidas por apenas uma pessoa", argumentou o chefe de Estado.
Na quarta-feira, uma comissão de atletas do Comitê Olímpico Russo enviou uma carta ao COI fazendo um apelo para que não houvesse a exclusão. Segundo o documento, ela seria uma "punição coletiva para os erros de uma minoria" e teria "um efeito verdadeiramente destrutivo em todo o sistema de valores olímpicos, causando um dano irreparável ao desenvolvimento do esporte no país".
O escândalo
O escândalo teve início quando o antigo diretor do laboratório antidoping de Moscou, Grigory Rodchenkov, e um funcionário da agência antidoping local denunciaram à imprensa americana que 15 medalhistas russos nos Jogos de Inverno de Sochi e outros atletas foram dopados por autoridades russas.
Além disso, há relatos que agentes do Serviço Federal de Segurança, a antiga KGB, manipularam amostras de urina durante o evento poliesportivo, para evitar que algum caso fosse revelado.
Revelações feitas pela televisão pública alemã "ARD" apontam que o ministro do Esporte da Rússia, Vitaly Mutko, encobriu pelo menos um caso de doping no escândalo que envolve o atletismo do país e que incidem em um suposto programa dirigido pelo governo.
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