Opas vai auxiliar Brasil na compra de medicamentos para intubação
Decisão foi anunciada após reunião de Queiroga com OMS hoje
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou hoje (3) que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS), vai auxiliar o governo federal na aquisição de “kits de intubação” para pacientes com covid-19.
Segundo o ministro, será possível repor os estoques reguladores, “de tal sorte que essa operação diária que existe, de fazer o aporte desses insumos para estados e municípios, seja menos sofrida para o Ministério da Saúde, e que crie menos ansiedade na população brasileira”. Ele estimou em 10 dias a chegada dos primeiros itens.
O anúncio foi feito pelo ministro, ao lado da diretora da Opas no Brasil, Socorro Gross, na manhã deste sábado (3), em Brasília. Eles participaram de videoconferência com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom.
A jornalistas, ela esclareceu que a organização já possui a oferta imediata de oito dos mais de 20 medicamentos utilizados em casos de intubação. Vencidos os trâmites de compra, esses itens podem começar a chegar em duas semanas, afirmou.
Desde o mês passado, os estoques desses insumos chegaram a níveis críticos em hospitais públicos e privados pelo país, diante de um avanço rápido no número de internações por covid-19.
Vacinação
Queiroga afirmou que a meta é manter para abril a vacinação diária de 1 milhão de pessoas, e que para isso o Instituto Butantã e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), únicas produtoras de vacinas contra covid-19 no país, garantiram a entrega de 30 milhões de doses ainda neste mês.
Ele destacou, porém, que a maior dificuldade é ter uma oferta maior de imunizantes. O ministro disse que uma alternativa, que discutiu em videoconferência com o presidente da OMS, Tedros Adhanon, é conversão de fábricas de vacinas para animais em unidades de produção de doses contra covid-19.
“Isso carece ainda de uma avaliação técnica. Não vai resolver o problema no curto prazo, vai ajudar no médio prazo a situação do Brasil e também de outros países”, disse ele. Ao reforçar seu parque industrial, o país pode se tornar capaz de exportar imunizantes para nações vizinhas, em colaboração com a Opas, acrescentou.
O ministro confirmou ainda a orientação para que os imunizantes reservados pelos municípios para a segunda dose sejam aplicados como primeira dose no maior número de pessoas, uma vez que, segundo ele, o fluxo no fornecimento de vacinas está garantido no futuro próximo.
Questionado por jornalistas sobre quebra de patentes, Queiroga afirmou que, em sua avaliação, isso não deve resultar em oferta maior de vacinas. O ministro disse também que temas relativos à compra de vacinas pela iniciativa privada ainda estão em discussão no Congresso Nacional, onde devem ser resolvidos, mas que “todas as ações que venham para ajudar na imunização são bem-vindas”.
Queiroga reforçou que deve ser ampliada a colaboração das Forças Armadas na distribuição de imunizantes e na aplicação das doses, conforme o presidente Jair Bolsonaro havia anunciado mais cedo.
Transporte público e medidas de prevenção
O ministro também foi questionado se o Ministério da Saúde discute com gestores estaduais medidas de nível nacional para serem implementadas no transporte público, por exemplo. Sem fornecer detalhes, ele confirmou as discussões, mas disse que não haverá “imposição”, mas somente “orientação”.
“Não adianta querer fazer isso na base da imposição, não vai conseguir. Não há lei que obrigue as pessoas a usar máscaras”, disse o ministro como exemplo. “O que precisa é que as pessoas acreditem no que estamos aqui dizendo e façam”.
Queiroga defendeu que restrições com efeitos mais severos sobre o funcionamento da economia sejam deixadas “como último recurso”. Ele pediu a todos os brasileiros que usem máscara e lavem as mãos com frequência, bem como que respeitem regras de distanciamento social e evitem aglomerações.
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