'Nada está tão ruim que não possa piorar', diz Bolsonaro sobre inflação e dólar elevados
O IPCA-15 de setembro atingiu 10% em 12 meses encerrados em setembro
Em solenidade alusiva aos mil dias do seu governo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que os problemas econômicos enfrentados na sua gestão, sobretudo a inflação no preço dos combustíveis, são uma realidade mundial e não acontecem por 'maldade'. O presidente, entretanto, citou que "nada está tão ruim que não possa piorar".
Bolsonaro participou com diversos ministros do lançamento do programa Crédito Caixa Tem, que planeja conceder empréstimos de R$ 300 a R$ 1 mil para quem tem conta no aplicativo da Caixa, usado para distribuir o auxílio emergencial.
— Mas nós temos o percurso, temos muitos obstáculos. São intransponíveis? Não, mas depende do entendimento de cada um. Alguém acha que eu não queria a gasolina a R$ 4 ou menos? O dólar a R$ 4,50 ou menos? Não é maldade da nossa parte, é uma realidade. E tem um ditado que diz: "Nada está tão ruim que não possa piorar". Não queremos isso porque temos o coração aberto, e tem uma passagem bíblica que diz: "Nada temeis, nem mesmo a morte, a não ser a morte eterna" — disse o presidente.
O IPCA-15 de setembro atingiu 10% em 12 meses encerrados em setembro. O indicador mede as variações de preços entre os dias 15 de cada mês e, por isso, serve como uma prévia do IPCA, usado nas metas de inflação do governo.
Analistas já veem inflação a 8,45% no fim do ano, bem acima da meta de inflação definida pelo Banco Central.
Preço do gás no Reino Unido
Durante seu discurso, Bolsonaro afirmou que os problemas econômicos são efeitos em decorrência da pandemia e que muitos países do mundo estão enfrentando problemas parecidos.
O presidente citou, por exemplo, o Reino Unido, onde o preço do gás natural subiu 300%, e os Estados Unidos, onde o preço da gasolina aumentou 40%.
— Mil dias de governo, com uma pandemia que muitos acham que o que acontece hoje em relação à economia, preço de combustíveis, entre outros problemas, está acontecendo porque eu sou o presidente e não pelo que passamos, estamos passando — afirmou Bolsonaro.
Em relação ao preço dos combustíveis, Bolsonaro ressaltou que não há muito o que se fazer em razão do arcabouço normativo que rege a atuação da Petrobras. O presidente relembrou quando, no início do ano, pressionou a estatal pelo aumento do preço da gasolina, o que levou à troca da presidência da empresa.
Segundo Bolsonaro, embora o grande acionista da empresa seja o governo federal, ele não possui o poder de decidir coisas dentro da empresa. O presidente lembrou que, no momento da troca de presidentes, a Petrobras perdeu "dezenas de bilhões de reais" em seu valor na Bolsa de Valores.
— Ninguém trabalha sob pressão. Trabalha com observações, como hoje estive com o ministro Bento (Albuquer, de Minas e Energia), conversando sobre a nossa Petrobras, o que nós podemos fazer para diminuir o preço na ponta — afirmou.
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