Mina tem previsão de colapso às 6h e deve gerar tremor e cratera em Maceió
As consequências ainda são incertas, mas toda área do Mutange e entorno está desocupada
A Defesa Civil de Maceió trabalha com a hipótese repassada pela Braskem de que a mina que está na iminência do colapso vai desabar e causar tremor e cratera por volta das 6h desta sexta-feira (1°). As consequências ainda são incertas, mas toda área do Mutange e entorno está desocupada.
Segundo o órgão, quando estava a mil metros de profundidade, a mina foi medida em 500 mil m³ — ou seja: era um buraco com área capaz de armazenar 50 milhões de litros de água.
Ela tinha essa cavidade antes, mas ela foi migrando para a superfície e se autopreenchendo. Ela hoje deve ser bem menor, mas não temos como dizer quais largura, altura e profundidade dela nesse momento.
Abelardo Nobre, coordenador da Defesa Civil de Maceió
Estima-se que 60% da área da mina esteja dentro da lagoa Mundaú. Isso gerou o medo e disseminação de notícia falsa de que o colapso poderia causar um pequeno tsunami. "Ao contrário: como haverá uma cavidade, a água vai entrar nela, reduzindo o nível da lagoa. Por isso alertamos as embarcações para evitarem a navegação até nova orientação", disse Abelardo.
Segundo ele, a área está sendo monitorada 24 horas por vários equipamentos, como drones. Abelardo explica que, quando houver o colapso, vai haver um tremor de terra, mas em uma magnitude que não deve causar danos físicos a imóveis em áreas vizinhas.
Como não temos as dimensões, não sabemos exatamente o grau de afetação que ela deve provocar na superfície, nem quantos metros terá essa cavidade.
Abelardo Nobre
O geólogo Antônio Jorge Garcia, do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, também disse que o colapso não deve causar problemas de ondas ou de danos a prédios, além dos já previstos.
Vai abaixar e vai ficar um buraco. Como está próximo de um corpo d'água, se for escorregar alguma coisa, será para dentro dele [da lagoa Mundaú]. As medidas que estão sendo tomadas, como de proibir navegação, são as medidas corretas.
Antônio Jorge Garcia
Como é a mina
O sistema usado pela Braskem para explorar a mina é feito por um poço cavado, que injeta água para a camada de sal, gerando assim a salmoura. A solução então vai ser retirada dessas minas para a superfície -- depois, elas são preenchidas com material líquido para dar estabilidade no solo.
Entretanto, parte dessas minas teve vazamento do líquido ao longo desses mais de 40 anos de exploração -- o que causou instabilidade no solo, gerando buracos como essa cavidade da mina 18. Ao todo são 35 minas na área urbana, que estão sendo preenchidas novamente.
Esse processo levou ao afundamento de solo em cinco bairros e ao deslocamento de quase 60 mil pessoas.
Agora, a área de risco foi ampliada por determinação judicial — que incluiu mais 1.700 lotes que terão de ter os moradores retirados. Segundo a Defesa Civil, cada lote possui ao menos uma residência.

Defesa Civil de Maceió divulgou atualização do mapa de risco do afundamento dos bairros
Imagem: Divulgação/Defesa Civil de Maceió
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