Caso Davi: Câmara Criminal do TJAL suspende júri que estava marcado para segunda (13)
Detalhes sobre a suspensão ainda são aguardadas pelas partes envoldidas, inclusive o MPAL
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) informou na tarde desta sexta-feira (10), através de sua assessoria de comunicação, que o júri do Caso Davi, programado para a próxima segunda-feira (13), no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, no Barro Duro, em Maceió, foi suspenso por liminar da Câmara Criminal do TJAL.
Ainda segundo a assessoria do MPAL, o promotor de Justiça Thiago Riff confirmou que foi avisado pelo juiz sobre a suspensão, mas ainda aguarda mais detalhes sobre as justificativas da medida para divulgação.
Réus
Os policiais militares Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Eudecir Gomes de Lima, Nayara Silva de Andrade e Victor Rafael Martins da Silva iriam sentar no banco dos réus na próxima segunda (13) sob a acusação de tortura e assassinado do jovem Davi da Silva, 17 anos, caso ocorrido no dia 25 de agosto de 2014, no Benedito Bentes, em Maceió.
Havia uma expectativa muito grande em relação ao julgamento, que ocorreria 11 anos após o crime e seis anos depois de a Justiça decidir que o caso deveria ir a júri popular.
Desde então, as defesas dos acusados apresentaram recursos tentando reverter a decisão e pleitearam a revogação das medidas cautelares por meio de habeas corpus.
No início desta semana, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Zumbi dos Palmares (CEDECA) divulgou uma convocação pública chamando a sociedade civil e movimentos sociais a acompanharem o julgamento, que será aberto ao público.Para o CEDECA, a presença da população é uma forma de reafirmar o compromisso coletivo com a verdade, a justiça e o direito à memória.
“Este julgamento não representa apenas a busca por justiça para um jovem, mas também para todas as famílias que vivem a dor do desaparecimento e da negligência do Estado. A presença da sociedade é fundamental para garantir transparência e respeito aos direitos humanos”, afirmou a entidade em nota.O desaparecimento de Davi da Silva mobiliza familiares, entidades e órgãos públicos desde 2014, quando o adolescente foi visto pela última vez em Maceió.Entenda o casoDavi da Silva desapareceu após ser abordado por policiais militares no bairro Benedito Bentes, em agosto de 2014. Testemunhas relataram que o jovem portava uma pequena quantidade de maconha e foi colocado dentro de uma viatura. Desde então, ele nunca mais foi visto.Na ocasião, Davi estava acompanhado de Raniel Victor Oliveira da Silva, que foi encontrado morto meses depois. Raniel era a principal testemunha do caso.
À época, os parentes, em especial sua mãe, Maria José da Silva, fizeram várias denúncias à imprensa, à OAB, e realizaram protestos exigindo uma solução para o caso e o aparecimento do adolescente.
O espaço para a manifestação da defesa dos acusados está aberto.
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