Meio ambiente

Papagaios Chauás serão transferidos para reserva ambiental do Rio Niquim

A ação faz parte do Plano de Ação Estadual (PAE) do Papagaio Chauá

Por 7Segundos, com Assessoria 30/11/2025 15h03 - Atualizado em 30/11/2025 15h03
Papagaios Chauás serão transferidos para reserva ambiental do Rio Niquim
As aves foram resgatadas em operações de combate ao tráfico de animais silvestres - Foto: Reprodução/Assessoria

Um grupo de Papagaios Chauás em breve vai colorir o céu e levar sons às matas na região do Rio Niquim, em Alagoas. É que nesta segunda-feira (1º) eles serão transferidos para um viveiro instalado em uma reserva ambiental, onde passarão por um período de aclimatação para posterior soltura.

A ação faz parte do Plano de Ação Estadual (PAE) do Papagaio Chauá, uma iniciativa do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) com apoio de diversas entidades públicas, privadas e ONGs.

“A medida faz parte de um grande projeto de refaunação para devolver à natureza animais que dela nunca deveriam ter saído, onde cumprem suas funções ecossistêmicas e ajudam a manter o equilíbrio ambiental”, assinalou o promotor de Defesa do Meio Ambiente, Alberto Fonseca, titular da 4ª Promotoria de Justiça da Capital (PJC/MPAL).

As aves, que foram resgatadas em operações de combate ao tráfico de animais silvestres, serão levadas de um viveiro no Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA) para um viveiro dentro do Mosaico de Reservas do Niquim, com monitoramento constante e em parceria com o setor sucroenergético. Após um tempo de aclimatação, elas serão soltas no local.

A primeira soltura de Papagaios Chauás como ação do PAE ocorreu na reserva da Usina Utinga. A segunda foi em janeiro deste ano, em uma reserva de Mata Atlântica do Litoral Sul, no município de Coruripe, de propriedade da Usina Coruripe. No Mosaico do Niquim, após o período de aclimatação, será a terceira soltura.

O PAE do Papagaio Chauá é uma parceria entre: Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), Ministério Público Federal (MPF), Projeto Arca do CEP, Museu de Zoologia da USP, Fundação Lymington, Instituto para o Desenvolvimento Social e Ecológico (IDESE), Pan Aves Mata Atlântica, Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) da Polícia Militar de Alagoas (PM/AL), Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA), Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Usina Coruripe, Usina Utinga, Usina Caeté, Sérgio Polezel Criadouro, Zoo das Aves e Crax Brasil.

Situação atual em Alagoas

A espécie foi coletada em Alagoas na década de 1950, e era comum no estado. Entretanto, o desmatamento e a captura das aves para o comércio ilegal e local de animais silvestres fez com que o Chauá fosse funcionalmente extinto. As últimas aves foram registradas no mosaico de RPPNs do Niquim, área de mata com aproximadamente 1.000 hectares.

Descrita por Tommaso Salvadori em 1890, estes papagaios medem aproximadamente 40 cm de comprimento total e possuem a plumagem da região cefálica bastante variável, cujo padrão e combinação de cores permite que os indivíduos possam ser reconhecidos individualmente, tal qual uma impressão digital.

A base da maxila é vermelha ou avermelhada, o que contrasta com a plumagem da cabeça, que apresenta tons e extensão variável de vermelho, amarelo, verde e azul. O espelho e a cauda apresentam a coloração vermelha, que chama bastante a atenção quando as aves voam. O restante da plumagem é verde, que pode ser claro ou escuro, dependendo da região corporal.

São aves que vivem em bandos e podem ultrapassar os cem indivíduos voando juntos. Costumam se reunir ao fim do dia em dormitórios coletivos, sempre em árvores altas, onde ficam mais protegidas. Apesar de serem observadas em grupos, formam casais bastante coesos.

Habitam preferencialmente florestas primárias, onde encontram alimento e locais para construírem seus ninhos, embora possam explorar também florestas secundárias e até mesmo quintais ou áreas residenciais próximas das florestas onde vivem. Possuem excelente capacidade de voo, percorrendo grandes distâncias.