Menino perdeu o braço por mordida de tigre em zoológico e sonha com Paralimpíada: 'Treino até vomitar'
Vrajamany Rocha foi atacado por um tigre em 2014, quando tinha 11 anos; hoje, ele sonha em representar o Brasil nas Paralimpíadas
Dizem que quando passamos por situações traumáticas, o nosso cérebro pode simplesmente apagar o que aconteceu. Não foi bem assim com Vrajamany Rocha. Hoje, com 23 anos, ele se lembra com detalhes do acidente que sofreu aos 11, quando foi mordido por um tigre em um zoológico no Paraná e perdeu um braço. Curiosamente, das memórias descritas por ele, poucas se relacionam ao impacto físico que o acidente lhe trouxe.
“Eu não desmaiei, não chorei, eu fiquei preocupado com o tigre, porque ele me mordeu. Meu pai veio, me socorreu, bateu no tigre, mas o tigre nem ligou. Aí, ele me soltou. Meu pai rasgou a camisa e fez um torniquete improvisado em mim. Passou outro visitante, que me colocou na grama; meu pai veio correndo falar comigo. E eu falei assim: ‘Pai, não deixa ninguém fazer nada com o tigre’. Depois eu falei: ‘Pai, vão prender você’”, relembra.
A preocupação do menino tinha fundamento. Dias depois, o Ministério Público Estadual do Paraná pediu uma investigação contra o pai dele pelo crime de lesão corporal, que chegou a ser condenado em regime aberto. Ainda assim, Vrajamany não o culpa pelo ocorrido e ainda comemora que nenhuma condenação mais grave foi imposta. Do acidente, o jovem confessa não guardar nenhum sentimento específico, apesar de o episódio ter moldado completamente sua vida.

“Na minha rotina, eu não tenho nem tempo de lembrar do acidente”, conta. Atualmente, Vrajamany é atleta paralímpico de natação e sonha com o dia em que vai defender o Brasil nas Paralimpíadas. Para alcançar o objetivo, treina todos os dias, alguns deles até vomitar de tanto esforço.
“Toda quarta-feira e sábado, essa temporada, eu treinei até vomitar. Saía, ficava jogado lá na piscina, quando eu conseguia recuperar, eu terminava o treino”, recorda.
Do acidente à ascensão no esporte

Depois de ter perdido o braço, médicos recomendaram à mãe de Vrajamany que ele praticasse algum esporte. A condição imposta por ela foi que a escolha do menino fosse por uma modalidade sem grande risco de lesão, daí veio a natação. O garoto entrou em um clube de iniciação para atletas paralímpicos.
Foi nesse centro de treinamento, em São Paulo, sua cidade natal, que os olhos de Vrajamany brilharam para o esporte. “Eu criei muita admiração, foi lá que eu disse: ‘Quero ser campeão mundial’”, relembra. Mas foi só na pandemia, inicialmente treinando sozinho, que o jovem viu seu rendimento evoluir a ponto de ele subir nos rankings de atletas.
“Eu estudei e montei o meu programa de treinamento. Em 2020, eu treinei só em casa. Em 2021, eu treinei numa associação filantrópica perto da minha casa. Lá havia um treinador que me ajudava de graça também; ele era técnico de hidroginástica, mas, ao me ver treinando, quis me ajudar”, conta.
Além dos treinos intensos, Vrajamany investia na alimentação, comendo até não aguentar mais para ultrapassar os 59 kg que pesava. No final de 2021, veio o primeiro título de campeão brasileiro na categoria 200 metros medley. Em seguida, recebeu o convite do Praia Clube e se mudou para Uberlândia (MG) para integrar a equipe. De lá para cá, foram mais 13 títulos de campeão brasileiro.
Ainda assim, para estar na Paralimpíada, Vrajamany acredita que precisa diminuir alguns segundos dos tempos que faz nas diferentes distâncias. “Os critérios para integrar a Seleção Brasileira são os mais concorridos do mundo. A Seleção Brasileira é a mais difícil do mundo de entrar por ter menos vagas na Paralimpíada. Você tem que estar entre os seis melhores do mundo em alguma prova para você integrar a seleção.”
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