Justiça

Sexto Julgamento: Serial killer de AL nega que ele e o ‘Arcanjo Miguel’ tenham matado idosa: “não fui eu”

Albino afirmou que a confissão ocorreu porque teria sido colocado em uma local insalubre na delegacia, o que o teria levado a admitir o crime apenas para encerrar o interrogatório

Por Wanessa Santos 05/03/2026 12h12 - Atualizado em 05/03/2026 13h01
Sexto Julgamento: Serial killer de AL nega que ele e o ‘Arcanjo Miguel’ tenham matado idosa: “não fui eu”
Promotor de Justiça Antônio Vilas Boas apresenta provas dos crimes de Albino Santos de Lima, o serial killer de Alagoas - Foto: Assessoria MPAL

O sexto julgamento de Albino Santos de Lima, conhecido como serial killer de Alagoas, ocorre nesta quinta-feira (5), no Fórum de Maceió, sob o comando do juiz Yulli Rotter, da 7ª Vara Criminal da Capital. Durante o interrogatório, o réu apresentou uma nova versão para o assassinato de Genilda Maria da Conceição, de 71 anos, ocorrido em 2019. Agora o acusado alega ser inocente neste caso, apesar de já ter confessado o crime anteriormente. A justificativa foi considerada contraditória e descabida pela acusação.

Albino afirmou que a confissão, feita no dia em que foi preso, ocorreu porque teria sido colocado em uma local insalubre na delegacia, o que o teria levado a admitir o crime apenas para encerrar o interrogatório. “O problema é que, no dia da confissão, me colocaram na delegacia, numa cela com chão gelado, os mosquitos me mordendo e eu disse: vá, vá, vá, vá, bote logo pra mim. Mas, depois pensei: rapaz, tenho que ir lá e desfazer isso porque não fui eu", relatou o réu.

Ele ainda manteve a narrativa usada em outros processos, afirmando que alguns crimes teriam sido cometidos sob influência do “Arcanjo Miguel”, versão que vem sendo rejeitada por laudos psiquiátricos que apontam plena sanidade mental.

O promotor Antônio Vilas Boas, que atua na acusação do réu, contestou as alegações e destacou que Albino apresenta comportamento típico de psicopatas: discurso articulado, ausência de arrependimento e tentativa de manipulação da narrativa. Durante o interrogatório, o promotor lembrou que exames periciais descartaram qualquer transtorno mental capaz de comprometer o entendimento de Albino sobre seus atos.

O promotor Antônio Vilas Boas, durante o 6º julgamento de Albino Santos de Lima / Foto: MPAL


Segundo o Ministério Público, o acusado agia de forma planejada: estudava a rotina das vítimas, registrava nomes e datas em seu celular e mantinha pastas com títulos como “mortes especiais” e “odiados no Instagram”, além de colecionar manchetes de jornais sobre os assassinatos que havia cometido.

Apesar de ter sido a primeira morte atribuída ao serial killer, o que pode significar que na ocasião ele ainda não teria definido um perfil específico para suas vítimas, Albino também mantinha em seu celular a data do dia em que matou idosa e o nome de Genilda circulados em um calendário.

O júri analisa o homicídio de Genilda Maria, ocorrido em 6 de fevereiro de 2019, quando a idosa foi morta a tiros pelas costas no Beco de Zé Miguel, quando levava o neto de 11 anos para a escola. 

Durante a sessão, o filho da vítima, Evilásio, chegou a comparecer ao fórum, mas foi dispensado pelo juiz e preferiu não falar com a imprensa por medo.

De acordo com o Ministério Público, o crime segue o mesmo modus operandi atribuído a Albino em outros processos: ataques planejados contra pessoas que ele julgava, por conta própria, terem ligação com o tráfico de drogas. O julgamento segue em andamento.