Maceió

Maceió tem um dos piores esgotamentos sanitários do país e expõe falhas da BRK

Levantamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, analisou os 100 municípios mais populosos do país e revela que 43,3% da população brasileira ainda não tem acesso à coleta de esgoto

Por 7Segundos 18/03/2026 11h11 - Atualizado em 18/03/2026 13h01
Maceió tem um dos piores esgotamentos sanitários do país e expõe falhas da BRK
Entre as capitais, Maceió aparece no grupo com os indicadores mais críticos de coleta de esgoto no país - Foto: Assessoria

A divulgação do Ranking do Saneamento 2026, nesta quarta-feira (18), acende um alerta direto para Maceió. A capital alagoana está entre os piores municípios do país em coleta e tratamento de esgoto, dado que ganha sustentação diante de um problema recente ocorrido na infraestrutura da cidade: a abertura de uma cratera na Avenida da Paz, no bairro Jaraguá, após obra na rede de esgoto.

O levantamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, analisou os 100 municípios mais populosos do país e revela que 43,3% da população brasileira ainda não tem acesso à coleta de esgoto. Entre as capitais, Maceió aparece no grupo com os indicadores mais críticos, ao lado de cidades como Manaus, São Luís, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho.

Enquanto isso, apenas três cidades brasileiras atingiram 100% de coleta de esgoto: Curitiba, Santo André e Juiz de Fora. Já no topo do ranking geral, os quatro municípios mais bem colocados, Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos, já alcançaram a universalização dos serviços, todos no estado de São Paulo.

O contraste evidencia um padrão nacional: cidades que mais investem em saneamento apresentam melhores resultados. Entre 2020 e 2024, os 20 municípios mais bem posicionados investiram, em média, R$ 176,17 por habitante ao ano. Já os 20 piores tiveram investimento médio de apenas R$ 77,58, um valor muito abaixo do necessário para universalizar os serviços.

Nas capitais brasileiras, a cobertura de abastecimento de água até se aproxima da universalização, com média de 93,67%, mas ainda de forma desigual. Apenas cinco capitais superam 99% de atendimento. Quando o assunto é esgoto, o cenário é mais crítico: só sete capitais têm mais de 90% de coleta, e o mesmo número atinge ao menos 80% de tratamento.

Cratera na orla expõe fragilidade da rede em Maceió

Cratera na Avenida da Paz levou à autuação da BRK. Foto: Cortesia

Em Maceió, os desafios apontados no ranking se refletem em situações práticas que afetam diretamente a população. Nesta semana, uma obra realizada pela BRK Ambiental em tubulação de esgoto provocou o rompimento da estrutura e abriu uma cratera na Avenida da Paz, uma das vias mais movimentadas da capital.

Segundo a Prefeitura de Maceió, a intervenção ocorreu sem alvará e resultou em vazamento de esgoto, comprometendo a base do asfalto e causando o colapso do pavimento. O problema gerou riscos para pedestres e motoristas, além de impactar o trânsito na região.

O extravasamento também atingiu a faixa litorânea próxima, lançando esgoto no mar e levantando preocupações sobre a qualidade da água e possíveis impactos à saúde pública e ao meio ambiente.

A gestão municipal informou que a concessionária foi autuada e notificada a regularizar a situação conforme a legislação ambiental. A infração inclui, entre outros pontos, o lançamento irregular de esgoto e a falta de comunicação prévia sobre um evento com potencial dano ambiental.