Após onda desaparecimentos em AL, MP propõe criação de delegacia especializada
Criação de uma Delegacia de Pessoas Desaparecidas é apontada como uma das medidas estruturantes para melhorar a resposta das investigações sobre os casos
Diante de 4.156 casos pessoas desaparecidas em Alagoas entre os anos de 2018 e 2025, o Ministério Público do Estado (MPAL) passou a defender a criação de uma delegacia especializada para atuar exclusivamente nesses casos. A proposta integra o Plano de Atuação 2026/2027 do Núcleo de Apoio às Vítimas e Desaparecidos (NAVID), que reúne dados e diretrizes voltadas ao enfrentamento do problema.
A proposta ganha relevância diante de ocorrências recentes registradas no Litoral Norte de Alagoas, especialmente no município de São Miguel dos Milagres. Desde 2024, a região contabiliza ao menos 20 casos de desaparecimento, muitos envolvendo jovens e adolescentes.
Segundo o documento, os registros foram contabilizados no Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (SINALID) e servem de base para a formulação de políticas públicas e estratégias institucionais. A criação de uma Delegacia de Pessoas Desaparecidas é apontada como uma das medidas estruturantes para melhorar a resposta das investigações sobre os casos, aliada à implementação de uma rede de busca imediata e ao uso de ferramentas tecnológicas para análise de dados.
O plano também destaca a importância de sistematizar informações sobre perfil das vítimas, locais de ocorrência e circunstâncias dos desaparecimentos, com o objetivo de tornar as investigações mais ágeis e direcionadas.
Desaparecimentos no Norte
Entre os casos mais recentes estão o de Cristiane Nazaré Oliveira da Silva, vista pela última vez no dia 1º de abril de 2026, na localidade conhecida como “Sem Teto do Ginásio”, e o do adolescente Nicolas Jonathas Santos, de 17 anos, que desapareceu em 31 de março após sair de casa com destino à escola.
De acordo com informações da Polícia Civil, parte dos casos teve desfecho com a localização das vítimas, enquanto outros permanecem sem solução. Há também registros de ocorrências com resultado fatal. As investigações buscam identificar possíveis padrões entre os desaparecimentos, incluindo a análise de fatores sociais e territoriais.
O MPAL avalia que a criação de uma estrutura especializada pode contribuir para centralizar informações, padronizar procedimentos e ampliar a capacidade de resposta das autoridades. A proposta também prevê atuação integrada entre órgãos de segurança e canais de apoio às famílias, além do fortalecimento de mecanismos de denúncia, como o Disque Denúncia 181, que recebe informações de forma anônima.
A iniciativa está inserida em um conjunto de ações voltadas à qualificação do atendimento às vítimas e à melhoria dos processos de busca e investigação no estado.
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