Após cirurgia inédita, cadela que teve 3 patas amputadas pelo tutor volta a andar com ajuda de próteses
Próteses foram projetadas para possibilitar movimentos semelhantes aos naturais. É a única cadela no país a receber três implantes do tipo.
A história da cadela Anja, vítima de um crime de maus tratos no Norte do RS, ganhou um novo rumo oito meses depois do resgate. Após o período de tratamento, a cachorrinha que teve três patas mutiladas pelo antigo tutor voltou a se apoiar no chão e ensaia os primeiros passos com o auxílio de próteses desenvolvidas especialmente para ela. Relembre o caso abaixo.
O avanço é resultado de um procedimento cirúrgico realizado no início de março, em Ibiraiaras. Anja passou por uma cirurgia de cerca de quatro horas para a colocação dos implantes.
As próteses foram projetadas para possibilitar movimentos semelhantes aos naturais, sem contato direto com a pele, o que reduz a dor e amplia as chances de adaptação.
Segundo o veterinário responsável pela cirurgia, cada implante foi feito de forma individual. As estruturas são fixadas ao osso por meio de parafusos e utilizam um pino de titânio que conecta a parte interna à externa da prótese.
"Ela movimenta como se estivesse com o osso. Então, o movimento é como se fosse um movimento natural", explica o médico veterinário cirurgião Filippe Michel.
Com o procedimento, Anja se tornou a única cadela no país a receber três implantes desse tipo. A partir de agora, ela inicia uma nova etapa de reabilitação. Ainda cautelosa, a cachorrinha segue em acompanhamento veterinário, reaprendendo a se movimentar pouco a pouco.
Relembre o caso
Em julho do ano passado, em Caseiros, Anja foi encontrada com as duas patas dianteiras amputadas. O responsável pelas agressões era o próprio tutor, que foi preso por maus-tratos. A denúncia chegou até a ONG União Protetora Caseiros, que realizou o resgate.
Quando Anja chegou na clínica veterinária de Ibiraiaras, a cadela apresentava ferimentos graves também em uma das patas traseiras, que também precisou ser amputada, e no rabo.
Voluntárias da entidade relatam que a cena encontrada foi uma das mais impactantes que já presenciaram:
"Ela estava no fundo do quintal, estava amarrada, no meio do barro, no meio do sangue, e as patinhas da frente que ele cortou estavam do lado", lembra Géssica Stoqueiro.
Desde o resgate, Anja passou a receber cuidados contínuos. Uma das profissionais que participou do primeiro atendimento conta que, apesar da gravidade das lesões, a cadela demonstrava tranquilidade e carinho.
"Quando comecei a manipular, ela feliz, carinhosa, lambendo, aceitou a alimentação. Então, foi algo que eu nunca imaginava que ia me deparar com uma cena dessas", conta a veterinária Francieli Sgarbossa.
A espera de adoção
Pessoas de diferentes partes do país contribuíram financeiramente para custear o tratamento, por meio de doações de valores variados. As contribuições permitiram manter os atendimentos, os exames e, finalmente, a cirurgia para a colocação das próteses.
A cachorrinha virou símbolo da ONG e representa a força e a persistência de animais vítimas de violência. Mesmo após tudo o que sofreu, nunca demonstrou comportamento agressivo ou sinais de desistência.
Agora, com as próteses, Anja segue em adaptação, cercada de cuidados, enquanto aprende a caminhar novamente. Em recuperação, ela aguarda a chance de encontrar uma família disposta a oferecer o que sempre lhe faltou: proteção, respeito e carinho.
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