Caso Anne Larissa: perita descarta suicídio e reafirma estrangulamento em júri popular
Defesa tentou contestar o laudo, levantando dúvidas sobre a possibilidade de estrangulamento
O julgamento de André Luiz Ramos Santa Cruz, acusado de matar Anne Larissa Nepomuceno Silva, ganhou um novo momento de tensão nesta quinta-feira (16), com o depoimento da médica-legista responsável pelo laudo pericial. Em audiência na 7ª Vara Criminal de Maceió, a especialista foi categórica ao reafirmar que a vítima morreu por estrangulamento, descartando qualquer hipótese de suicídio.
Durante o interrogatório, a defesa tentou contestar o laudo, levantando dúvidas sobre a possibilidade de estrangulamento pela ausência de outras lesões no corpo. A perita, no entanto, foi firme: “É possível, sim”, respondeu, explicando que nem sempre há múltiplas marcas visíveis em casos desse tipo de morte.
Com base em sua experiência, a médica também destacou diferenças entre mortes por suicídio e homicídio. Ao ser questionada pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, afirmou que possui ampla vivência em casos de suicídio e que, em mulheres, os métodos mais comuns envolvem cortes nos pulsos, sendo raro o enforcamento.
A especialista ainda explicou aspectos técnicos que afastam a tese de suicídio. “Não é possível enforcamento com sulco retilíneo. A morte não foi suicídio”, declarou.
Em um dos momentos mais marcantes do depoimento, a perita questionou a versão sugerida pela defesa: “Como é que uma pessoa se enforca e se deita depois?”, indagou, ao rebater a hipótese de que a vítima teria tirado a própria vida e, em seguida, sido encontrada deitada.
O promotor reforçou o argumento, apontando a inconsistência lógica da tese. Já o juiz Yulli Roter também questionou as condições físicas para um possível enforcamento, considerando a altura da vítima e a posição em que o corpo foi encontrado.
A médica esclareceu que, em casos de enforcamento, o sulco no pescoço costuma apresentar características específicas, como marcas na parte lateral ou posterior do pescoço, o que não foi observado. “Se ela tivesse se enforcado e caído para frente, haveria interrupção do nó na frente”, explicou.

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