Justiça

Caso Davi Silva: promotora confronta PMs por alegarem não saber onde estavam

Durante júri, MP confronta versões e questiona relatos sobre localização e trajeto

Por Giulianna Albuquerque 05/05/2026 16h04 - Atualizado em 05/05/2026 22h10
Caso Davi Silva: promotora confronta PMs por alegarem não saber onde estavam
Promotora Lídia Malta - Foto: Ascom MPAL

A promotora de Justiça Lídia Malta protagonizou um dos momentos mais marcantes do segundo dia de julgamento dos quatro policiais militares acusados pelo desaparecimento de Davi Cícero Lourenço da Silva, de 17 anos. 

Durante sua sustentação no plenário do júri, nesta terça-feira (5), a representante do Ministério Público fez duras críticas à versão apresentada pelos réus, apontando contradições e classificando os depoimentos como tentativas de confundir os jurados. 

“Policiais militares afirmando que não sabiam onde era o Benedito Bentes, e se precisassem de reforço iam dizer o quê? Eita, sei não onde é. Policiais de uma unidade como a Radiopatrulha não saberem onde estão é, no mínimo, querer debochar da nossa ingenuidade", ironizou a promotora.

Outro ponto destacado pela promotora foi a tentativa, segundo ela, de distanciamento dos réus da cena do crime. “Vejam que eles estão a todo momento querendo sair do local do crime e do crime”, pontuou, ao mencionar inconsistências sobre paradas durante o trajeto, incluindo um momento em que teriam parado para comprar comida, sem que o motorista soubesse informar a localização exata.

Lídia Malta também citou o início do hino da Polícia Militar, reforçando o papel da corporação. “O lema da Polícia Militar quer na paz, quer na guerra é lutar”, declamou, para em seguida completar: “e não executar”.

Julgamento

O julgamento trata de um crime ocorrido em 2014 e que, até hoje, segue sem a localização do corpo da vítima. Os réus — Nayara Silva de Andrade, Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos — respondem por tortura, sequestro, cárcere privado, homicídio e ocultação de cadáver.

A sessão acontece no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro do Barro Duro, em Maceió, e deve ser concluída ainda nesta terça-feira (5), quando os jurados devem anunciar a decisão sobre a condenação ou absolvição dos acusados.